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WikiLeaks, a nova geração de rebeldes

Em algum momento lendo jornais, revistas ou até mesmo assistindo TV, você certamente já ouviu a palavra WikiLeaks, associada a divulgação de dados secretos. Seja do governo ou entidades não governamentais.
O idealizador disso tudo, atende pelo nome de Julian Assange, um hacker com habilidades em invadir sistemas. Durante uma invasão descobriu arquivos confidenciais do governo norte americano. A partir disto surgiu à ideia de divulgar informações confidenciais, em benefício das pessoas. “Qualquer reforma em grande escala, deve se basear em informação. Se você censurar um material importante, nós não vamos criticar você. Nós iremos pegar este material que você está censurando, e vamos divulgar por todo o mundo de uma maneira que este material, nunca mais irá desaparecer dos domínios da internet” afirma Assange.
Com este lema, e protegido pelas leis Suecas de liberdade de expressão, Assange instalou no ano de 2006, seu principal servidor na cidade de Estocolmo. Assim nascia a geração WikiLeaks. Um grupo de rebeldes, verdadeiros guerrilheiros digitais, sem uma base nacional, comandando a liberdade de expressão a partir de cafés, salas de informática e bibliotecas.
A primeira contribuição do grupo aconteceu no ano de 2007, quando Assange se uniu com o jornal britânico “The Guardian” e publicaram documentos, mostrando evidência de que o presidente do Quênia, Daniel Arap Moi, tinha se apoderado de enormes somas de fundos do país.
Após esta primeira contribuição com a mídia, Assange fez pacto com diversos jornais influentes, como “Mirror, Reddit, The New York Time, Washinton Post, Der Spiegel”. E inicia-se a revolução da informação na internet, onde hackers e jornalistas se unem para o bem maior, a liberdade de expressão.
Com o nome em evidência, o WikiLeaks virou uma fonte segura de informação. A partir disto o envio de documentos sigilosos ao grupo não parou de crescer. Eis que acontece no ano de 2010, um dos maiores vazamentos de informações sigilosas, cerca de 700 mil documentos, relatórios militares, diplomáticos e vídeos a respeito do governo norte americano.
Bradley Manning, analista de inteligência do exército dos EUA, foi o responsável pela divulgação destes dados. Ele descobriu indícios de crime de corrupção e abuso de poder, durante a guerra no Iraque e Afeganistão. Entre os documentos de posse de Bradley, encontrava-se um vídeo, onde apareciam várias pessoas sendo alvejadas com tiros de balas ocas, de 30 milímetros.
Entre as vítimas estavam jornalistas da agência de notícias Reuters. Na época, o governo americano se pronunciou dizendo que a dupla morreu num confronto entre suas tropas e insurgentes, e que o incidente estava sendo investigado.
Com a divulgação do vídeo a verdade veio à tona. As imagens, gravadas por um helicóptero de ataque, são acompanhadas pelo áudio de comunicação entre o piloto e o controle em terra. No vídeo, o piloto revela que identificou homens armados, caminhando por uma rua de Bagdá, e pede autorização para abrir fogo.
O vídeo mostra ainda um grupo de homens andando pela rua, incluindo os funcionários da Reuters Namir Noor-Eldeen e Saeed Chmagh. O piloto confunde a câmera de um dos jornalistas com um lança-granadas RPG, e comunica ao controle em terra que avistou “cinco ou seis homens com (fuzis) AK-47” e pede permissão para abrir fogo, sendo atendido logo em seguida.
O helicóptero dispara rajadas de metralhadora e quando a poeira baixa os pilotos se vangloriam “um monte de corpos caídos no chão. Olha todos estes desgraçados mortos. Que beleza”. Após a primeira sequência de disparos, homens em uma van tentam socorrer os feridos, mas o veículo é atacado pelo helicóptero, e duas crianças são feridas no carro.
Eis que cai a máscara do governo norte americano. A quantidade de mortos durante a guerra é 10 vezes maior do que os números que o EUA tinha anunciado. O governo revida contra Julian Assange e anuncia “Devemos condenar a divulgação de qualquer informação secreta por indivíduos e organizações. O Ministério da Defesa exige que WikiLeaks devolva imediatamente todas as versões, de documentos obtidos direta ou indiretamente dos bancos de dados do Ministério da Defesa”, afirma um porta voz do governo. Assange rebate, e alerta-os que haverá uma nova divulgação de dados militares. Cerca de 400 mil relatórios.
O idealizador do WikiLeaks trava uma guerra com os EUA, com isto ele recebe diversas ameaças de morte, e uma delas é divulgada no jornal “Washinton Post”. Assange não se rende às ameaças, e prioriza suas fontes de informação. “Nós nos comprometemos com nossas fontes, de apresentar seu material ao público, com o melhor de nossa capacidade. Para alcançar o máximo de impacto político que pudermos conseguir. Fazemos isto pelos riscos que nossas fontes assumiram” afirma.
Estamos vivendo em uma era onde a liberdade de expressão na internet, não para de crescer. A semente plantada em 1999, quando Assange registrou pela primeira vez o domínio “wikileaks.org”, está gerando frutos até hoje.
Assange conquistou diversos prêmios nesta caminhada pela liberdade de expressão. Em 2008 ganhou o “Index on Censorship do Economist” (uma organização sem fins lucrativos cujo objetivo é de promover a liberdade de expressão). Já em 2009 conquistou o “Amnesty International”, por ter exposto os assassinatos extrajudiciais no Quênia. Foi votado no ano de 2010, como uma das 50 figuras mais influentes pela “New Statesman”, ficando em 23º lugar.
Além disso, algumas comunidades da Internet promoveram a indicação de Julian Assange para o Prêmio Nobel da Paz em 2011. No mesmo ano, Assange foi listado pela revista “Time” entre as 100 pessoas mais influentes do mundo. Foi homenageado em 2014, com a “Medalha Chico Mendes de Resistência”, entregue pelo grupo de direitos humanos brasileiro, Tortura Nunca Mais.
Elaborou com ativistas hackers e parlamentares islandeses, uma proposta para transformar a Islândia em um paraíso do jornalismo. A proposta foi aprovada por unanimidade pelo parlamento da Islândia.