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Netflix não é ameaça: TV paga está perdendo para si mesma no Brasil

Apenas 16% dos usuários que assinam Netflix cancelam o serviço de televisão por assinatura, segundo um estudo da consultoria TDG Research. Considerada grande vilã pela operadoras brasileiras, que já ameaçaram até boicote ao serviço, a empresa de streaming não representou problema real à TV paga no país, que tem perdido clientes por outro motivo.

A questão, na realidade, é muito difícil de encontrar uma resposta. Apesar do discurso, as próprias operadoras negam que o serviço de streaming, que não para de ganhar popularidade, cause cancelamentos por parte dos clientes. No entanto, há falta de dados sobre o assunto, o que complica qualquer conclusão para a questão.

Analisando os dados, no entanto, dá para apontar um grande culpado pela queda nas assinaturas de televisão paga do país. É o que se pode considerar um gol contra: a TV por satélite perdeu 830 mil clientes no ano de 2015, enquanto a televisão a cabo ganhou 296 mil novos consumidores, e a TV em fibra foi adquirida por mais 75 mil casas.

Mas esses clientes que deixaram a TV por satélite não optaram pela Netflix. Acontece que este serviço atinge muito mais regiões do país de menor densidade, onde geralmente não vale a pena instalar cabos. Assim, opta-se pelo serviço chamado Direct to Home, ou DTH, a televisão via satélite. E, nos lugares com menor densidade populacional, há mais pobreza. E, onde há mais pobreza, há mais gente afetada pela crise.

 

Gráfico: Época Negócios

Claro que a TV por satélite possui uma base bem grande também nas cidades, já que é um serviço mais barato, com opções mais vantajosas à classe C do que a televisão a cabo. Mas, de novo, é justamente essa a classe mais afetada pela crise. E, nesses tempos, serviços não essenciais, ligados ao lazer, são os primeiros a serem cortados.

E a opção não foi de troca da televisão via satélite pela Netflix. Para conseguir acessar o serviço de streaming é necessário uma conexão de, no mínimo, 1,5 Mbps, de acordo com a própria empresa. Conexões de mais de 2 Mbps já chegam a mais de dois terços dos domicílios brasileiros, mas é difícil imaginar que uma família que opta por cortar a televisão DTH prefira pagar internet banda larga e assinatura da Netflix ao mesmo tempo.

Mais números para comprovar que o streaming não está matando a TV a cabo? Em 2015, a NET somou mais 365 mil clientes ao seu serviço. Enquanto isso, empresas de TV por satélite despencaram: Claro TV perdeu 650 mil assinantes, o equivalente a um quinto de sua base, enquanto a Sky viu 199 mil clientes desistirem do serviço, e a Oi ficou com 134 mil assinantes a menos. Esta última pode culpar a própria estratégia, uma vez que, depois de entrar com preços agressivos no mercado em 2014, resolveu mudar, oferecendo os combos com TV, internet e telefone por um valor menor, enquanto só a TV seria mais cara. Isto afasta a classe C, que quer apenas o serviço mais em conta.