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Desiree Santos: um exemplo de garra, sucesso e persistência

Muito se fala em quão pequeno é a participação das mulheres no mundo da tecnologia. Mas a verdade é que, as mulheres sempre estiveram presentes no setor de TI. O primeiro algoritmo processado por uma máquina, foi desenvolvido pela matemática, Ada Lovelace. E as contribuições das mulheres no mundo da tecnologia não param por ai.

Desiree Santos, consultora de desenvolvimento de software da Thoughtworks, mestranda em Ciências da Computação pela PUCRS. Uma mulher de muita força e garra, que enfrentou diversas barreiras ao longo da sua vida profissional pelo fato de ser mulher e negra.

Conforme dados da PNDA (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) no ano de 2009, foi constatado que apenas 20% das mulheres no Brasil, trabalham na área de Tecnologia da Informação. Neste mesmo Censo foi constatado, que a presença das mulheres em cursos relacionados a área de Tecnologia da Informação, são de apenas 15%.

Sobre o preconceito que as mulheres negras sofrem no setor de TI, Desiree afirma “A mulher negra na tecnologia precisa lutar diariamente contra dois paradigmas. O primeiro relacionado ao machismo, e o segundo relacionado ao racismo. Em qualquer lugar que eu vá eu tenho que lutar diariamente contra isto” afirma.

Uma das histórias mais marcantes de racismo que Desiree enfrentou, foi durante sua graduação. Quando ela resolveu sair em busca de um estágio. “A empresa ficava em um bairro nobre no Rio de Janeiro. Ao chegar lá, já não fui bem recebida e fui vista com um olhar de estereótipo. Automaticamente percebi a situação, mas mesmo assim segui na busca do estágio. Acabei passando em todas as etapas do processo seletivo, e compartilhava as provas com meu professor da graduação, que trabalhava na mesma empresa onde eu estava tentando a vaga. Todas as provas que eu fiz, durante o processo, eu partilhava com ele, e ele sempre me dizia que estava tudo correto e que a vaga era minha, que não tinha nenhuma possibilidade de eu não passar. Ao sair o resultado final das vagas do estágio, descobri que não tinha conseguido a vaga. Então ali descobri que tinha sido vítima de um racismo constitucional” conta.

O preconceito das mulheres negras, vão além da área de tecnologia. Na última década, com a inserção de programas de ações afirmativas nas principais universidades do País, cerca de 1,8 milhões de jovens, quase metade negras e negros pressionam o mercado de trabalho em busca de uma vaga. Conforme um estudo publicado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), nos últimos 10 anos, se triplicou o percentual de negros e negras no Ensino Superior. O argumento de que “não há negros com a escolaridade exigida” já não se é mais valido.

 

Sobre a Thoughtworks

Desiree conta que a empresa onde ela trabalha atualmente a Thoughtworks, tem um viés de justiça social. “Trabalhamos muito em cima de causas sociais, causa polêmicas que exigem muita conversa. Quando entrei na empresa, comecei a estudar mais sobre a cultura da negritude, e comecei a participar de movimentos negros. Com isto me empoderei de todos os tipos de racismo e como me portar diante de algumas situações.” afirma. A empresa em que Desiree trabalha, conta com um público bem diverso, homens, mulheres e LGBT. Além disto a empresa tem cerca de 50% de mulheres na sua área técnica.

ThoughtWorks é uma consultoria global em tecnologia de informação (TI) que tem como foco o desenvolvimento ágil de software. A companhia tem contribuído com uma variedade de produtos de código aberto, incluindo o CruiseControl, o NUnit e o Selenium.

 

Desiree palestrou na última sexta-feira na Semana Acadêmica do Curso de Ciências da Computação no campus da Unoesc em São Miguel do Oeste

 

Créditos foto: Barbara Nickel/Coisas Que a Gente Cria