Pinhalzinho

26º

17º

Maravilha

24º

15º

São Miguel do Oeste

24º

15º

Chapecó

27º

17º

Sobre dizer a verdade

Olá amigos(as)...um assunto que está muito presente em nosso cotidiano são as informações. O ponto sensível, no entanto, está no trato do conteúdo.

 

Sobre dizer a verdade

O atual modelo de estruturação de poder evidencia a manipulação das informações, o que torna a verdade um produto raro. O que mais existem são recortes do real. Mesmo nas nossas falas cotidianas entre amigos, nem percebemos que as informações que transmitimos quase sempre têm pouca base científica, sem fontes confiáveis ou mesmo estudo prévio. Só repetimos...como papagaios de pirata!

 

Mas não é nossa a culpa, grosso modo, do problema todo. É cultural. Todas as informações que nos rodeiam são escassas em raízes científicas. Parece até que o ser humano não precisa ser conhecedor do mínimo sobre os assuntos a que é sensível. Desde o nosso início intelectual o que nos é dado são migalhas, fragmentos esparsos sobre os temas. Raros professores buscam incentivar alunos a buscarem mais fontes de informação do que os livros básicos. Hoje a nossa cultura é de submissão, pois se ficarmos contestando as coisas somos chatos, malas...estranhos no ninho. Pensadores são isolados do convívio social. Ponto positivo é que não precisam dançar “em cima da saveiro” com uma long neck quente na mão.

 

Mas o ato de entender a verdade tem raízes profundas. Conforme o dicionário, verdade significa “estar de acordo com os fatos ou a realidade”, quer dizer, sustentada por acontecimentos cujos relatos são fieis de acordo com o que realmente aconteceu. Em nossa realidade tridimensional, a verdade é uma interpretação mental do mundo transmitida pelos sentidos.

 

Para tanto é fundamental que as informações que passamos tenham o máximo de conteúdo interativo com cada um dos nossos sentidos, justamente para que tenhamos melhor compreensão da mensagem, evitando erros de interpretação ou informação quebrada que não agrega conhecimento. Mas também é importante dar um passo além.

 

Ter dados para analisar é bom. Melhor ainda é buscar entender em que contexto esses dados foram captados e porque são apresentados da maneira A ou B. Lembremos que a estrutura psicológica humana é viciada em sistemas e, por isso, possui sempre um certo grau de direcionamento conforme a estrutura social do emissor/receptor da mensagem. Buscar a verdade saudavelmente, acredito, tenderia a ser uma questão mais interna do que externa, sendo a primeira auxiliar da segunda. Dentro da nossa construção como seres pensantes criamos parâmetros próprios de análise do que é, individualmente/coletivamente, verdade ou mentira. Partindo dessa base para analisar as informações que chegam, temos a possibilidade de analisarmos o quanto esta mesma base é bem ou mal construída. Esse processo melhora o conteúdo que retransmitimos.

 

Em 1934, o escritor Bertold Brecht falou de cinco dificuldades em escrever/dizer a verdade no intuito de combater a mentira e a ignorância: coragem, inteligência, arte de torná-la manejável, discernimento e habilidade. Ao final de seu texto ele destaca que de nada adianta o conhecimento superficial das verdades. O importante mesmo é, após a verdade dita, descortinar as razões do porque as coisas são como são e estão como estão. Dizer a verdade para Brecht é o gatilho que torna possível traçar ações para resolver ou melhorar aquilo que é mostrado. Uma boa semana a todos!