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Porque me dou mal se sou um homem/mulher de bem?

Você, leitor(a), é pessoa honesta e cumpridora? Trabalha? Paga as contas? É decente com a mulher, filhos e na sociedade em que vive? Se a resposta é positiva, essa reflexão é pra você.

 

Quando olha em volta, o cenário é selvagem, não é? Os colegas usam e abusam da dissimulação e da mentira. Sem falar da corrupção de superiores e políticos. Para piorar as coisas, eles quase sempre não são punidos por suas condutas viciosas.

 

De que vale uma vida ética então se isso pode representar, digamos, uma "desvantagem competitiva"? Clássica pergunta.

 

Os gregos diziam que o bem é condição necessária para uma vida feliz. Mas o que dizer de todas as criaturas que, praticando o mal, o fizeram de cabeça limpa por terem falsificado a sua própria consciência? E vemos o mundo os acolhendo, pra piorar.

 

Quando falamos de vidas éticas, falamos de duas dimensões distintas: uma dimensão pública, outra privada. Em termos públicos, acreditar que os homens são como anjos é o primeiro passo para uma sociedade de anarquia e violência. Claro que defendo a presunção da inocência (que derrubaram no Brasil), pois, do contrário, deveremos erguer um painel em neon publicando nosso retrocesso como sociedade civilizada.

 

Na esfera pública, eu gostaria que os homens fossem anjos - mas, conhecendo bem a espécie, talvez o mínimo a exigir é que eles sejam punidos quando se revelam caídos, respeitando a Constituição. Não somente e, unicamente, os homens públicos que têm de ser virtuosos, mas a justiça deve ser ética, moral, e implacável quando os homens públicos são viciosos. O que importa ter é uma República implacável com os “tontos” e suas “tonterias”.

 

E em privado? Devemos ser virtuosos quando nem todos seguem a mesma cartilha?

 

Fato: não há uma relação imediata entre virtude e felicidade. Segundo o filósofo Aristóteles, o que conta na vida não são as vantagens que conseguimos no curto prazo. É, antes, o tipo de caráter que "floresce" no curso de uma vida.

 

Para que esse caráter floresça, as virtudes são como músculos que praticamos e desenvolvemos até ao ponto em que a felicidade, na falta de melhor termo, se torna uma segunda natureza. Caráter é destino, diria ele. Falta de caráter = triste destino. Os exemplos estão aí.

 

Sim, leitor, não é fácil olhar em volta e ver como a mesquinhez alheia triunfa e passa impune. Mas não confunda o transitório com o essencial.

 

E, sobretudo, nunca subestime a capacidade dos homens sem caráter de arruinarem suas próprias vidas.