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Por que emburrecemos ao passar dos anos?

Por que emburrecemos ao passar dos anos?

Esse é um tema que me martela a cabeça desde que me reconheci como um Ser vivo que possui capacidade própria de pensar e construir pontes entre os conhecimentos adquiridos via experiência física ou intelectualidade.

 

Bebês. Revelo que sempre tive um “pé atrás” com esses pequeninos seres vivos. Mas não me entenda mal. É que sempre fiquei impressionado com a capacidade que eles têm de serem mais inteligentes do que eu (rsrs). Explico que inteligência, nesse contexto, leva em conta a dinâmica dos recém-nascidos em buscar entender o novo meio em que estão inseridos. A tal “inocência” das crianças pra mim se traduz na mais pura perfeição da realização de uma tarefa que deveria ser exercida por todos nós durante toda a nossa vida na Terra: viver sem filtros.

 

Basta conversar por alguns minutos com alguém que durante algum tempo conviveu de perto com bebês para ouvir frase do tipo: “Eles são muito espertos!”. Pois é, de fato são – e bem mais do que supúnhamos há algum tempo. Especialistas em desenvolvimento dizem que, se não fosse pela impossibilidade do corpo da mãe de suportar uma gestação mais longa, os filhotes de humanos ficariam no útero muito mais tempo. Eu também voltaria, se pudesse! O mundo não é bão Sebastião!

 

Hoje, com os avanços da ciência, sabemos que o cérebro infantil é incrivelmente plástico e o aprendizado se dá de forma acelerada, tornando os pequenos capazes de absorver as mais diversas experiências. Segundo a doutora em psicologia e filosofia Alison Gopnik, um dos fatos mais curiosos é que os bebês exploram o ambiente como se fossem cientistas: observam, criam hipóteses, fazem experimentos, testam, estabelecem categorias, comparações e tiram conclusões. Complementam isso com as sensações de bem ou mal estar, que são a base de criação da estrutura psíquica.

 

Neste ponto, muitos estudos convergem para a questão dos resultados positivos que a atenção e o cuidado proporcionam ao desenvolvimento saudável das crianças. Como tudo na vida, espera-se, imprimir equilíbrio é fundamental. Mas hoje, o que mais vemos são crianças quais, muitas são criadas superprotegidas, outras tantas sem amparo algum. Nessa brecha, o meio social vai subvertendo conceitos e valores, colocando filtros psicológicos que ficarão ativos por toda vida, bloqueando a potencialidade nata que temos de viver a plenitude da verdadeira experiência humana que neste tempo e espaço presente é a realidade.

 

No entanto, existe uma beleza universal, que se mostra através de forças ainda pouco compreendidas, na possibilidade do despertar da iluminação a qualquer tempo da vida. Quando isso acontece voltamos ao útero materno. Inicialmente nos causa medo, pois vemo-nos destituídos de quase todas as bases que julgávamos certas.

 

Supreendentemente, mesmo percebendo o quanto emburrecemos ao longo da vida, matando a inocência, tudo o que fizemos e passamos é convertido em aprendizado. É preciso, no entanto, uma autoanálise profunda e franca.

 

Necessitamos ainda em vida sair do “casulo”, tirar o véu que nos ofusca a visão. Queremos voar sem asas. Mesmo quando as conseguimos, são como as de Ícaro, feitas artificialmente com cera de abelhas e penas de gaivota. Como no mito, apesar das orientações sábias de seu pai, Ícaro, tomado pelo desejo de tocar o Sol, acabou por derretê-las e morreu afogado ao cair no mar Egeu. Assim somos nós. Tornamo-nos nossos próprios mestres. Perdemos o rumo de celebrar a vida com a pureza das crianças. Queimamos nossas asas da liberdade.

 

Por que embrurrecemos ao longo da vida? Porque assim consentimos.