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O que a imprensa brasileira não fala da tragédia em Minas

Olá amigos(as)...após algumas semanas com textos de reflexão, que nos ajudam a melhorarmos como seres humanos, volto a tratar de assuntos mais duros. Vê-se agora, após a tragédia em Minas Gerais, a importância de mudar nossa forma de ver o mundo. Estamos em queda livre ao caos, e a estrada da salvação é estreita.

 

O que a imprensa brasileira não fala da tragédia em Minas

Fui procurar em jornais internacionais mais informações sobre o rompimento da barragem da Samarco em Mariana, cidade de Minas Gerais, que despejou 62 milhões de metros cúbicos de resíduos no ecossistema local. Encontrei uma entrevista, no site do Jornal espanhol El País, com Marcus Vinícius Polignano, coordenador do Projeto Manuelzão. O projeto ambiental, da Universidade Federal de Minas Gerais, monitora a atividade econômica e seus impactos ambientais nas bacias hidrográficas e trabalha com a revitalização dos principais rios mineiros. Fiquei chocado! Eu vendo toda a repercussão dos atentados em Paris e uma tragédia bem pior acontecendo debaixo do meu nariz e a imprensa nacional tratando como se nada fosse. Vamos aos fatos.

 

A avalanche de rejeitos gerada em Minas Gerais pelo rompimento de duas barragens da mineradora Samarco, controlada pela Vale e a australiana BHP, causou danos ambientais imensuráveis e irreversíveis. Lama pavimentou mais de 500 km por onde passou devastando, com impacto ainda difícil de calcular completamente, grande parte do ecossistema da região. “Podemos dizer que 80% do que foi danificado lá é perda, não há como pensar em um plano de recuperação ambiental”, disse Marcus. Recortei alguns trechos da entrevista para que você sinta o tamanho da tragédia.

 

Qual a dimensão do estrago ambiental? - É de uma magnitude que eu diria imensurável a princípio. Há várias situações. A extensão do dano é tal que estamos com a lama chegando na foz do Rio Doce, no Estado do Espírito Santo, a mais de 500 km do local do rompimento da barragem. Apesar dessa lama não ter aparentemente uma composição tóxica do ponto de vista químico, a densidade por si é altamente impactante, porque ela foi fazendo um tsunami de rejeitos que por todos os lugares em que passou devastou, matou e impactou. Uma mesma onda produziu três efeitos. 

 

Como fica o ecossistema? - A onda foi pavimentando o trajeto, porque aquilo é uma massa com certa densidade, não é essa lama de enchente que é mais rala, ela tem densidade e uma liga. Dependendo da região, chegou a uma faixa de 50 a 100 metros para além da borda do rio. As comunidades que estavam no caminho perderam todas as suas propriedades, perderam seu meio de vida.

 

E qual situação dos rios da região? - Essa tsunami toda chegou rapidamente aos rios. A lama saiu de um afluente, que era o Gualaxu, passou para o Rio do Carmo e atingiu o Doce que é o rio principal, que configura a bacia. Então foi descendo rio abaixo, trazendo outros efeitos, matando todos os peixes, já que a densidade da lama retirou o oxigênio da água. Há cenas chocantes de peixes pulando para fora da água. Um quadro absolutamente horrível, inimaginável. Fora as perdas humanas. Informações extraoficiais já dão conta de mais de 300 desaparecidos. O corpo de uma menina foi localizado a 100 quilômetros do local!

 

Concordo com o jornalista Leonardo Sakamoto que diz: “Pouco depois do mar de lama chegar à praia, o assunto será substituído por outro. Mas a tragédia acontecerá de novo em Minas Gerais, como tem acontecido periodicamente. O cronômetro já foi posto em contagem regressiva”. De fato é isso mesmo. Antes desse, já aconteceram outros 5 rompimentos de barragem, mas em menor escala visível, não em impacto ambiental. Nem ficamos sabendo. Mas quem vai ir contra a gigante Vale. Não se pode confiar nos números de mortos e desaparecidos, pois são todos manipulados. Lembrando-nos que empresas financiaram partidos em eleições. Dizer que foi um “acidente”, é, no mínimo, crer que o Papai Noel existe. Existe mesmo é omissão do Estado e desumanização em razão do lucro.

 

Assista este VIDEO.

Impacto no Rio Doce, VEJA!