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Marcas da liberdade

Olá amigos (as)...reta final de ano! Decidi suavizar, chega de “pirar” com o mundo ao redor. Lembrei que uma das coisas mais gostosas que faço na vida é ficar com os pés descalços...ah!

 

Marcas da liberdade

Os que forem viajar à Austrália se espantarão ao encontrar jovens e crianças de pés descalços. Longe do que poderia parecer à primeira vista, os pés descalços não são pobres de instrução ou de dinheiro. Os pés descalços de lá são, de fato, gente que, em primeiro lugar, quer se sentir em contato com a natureza.

 

Trouxe esse exemplo australiano (que fiquei sabendo a pouco) para abrir esse meu relato sobre a beleza que é para mim poder andar com os pés nus.

 

Desde pequeno, o campo improvisado na rua, o chão de terra, os gols marcados com chinelos, os pés descalços. O jogo de bola com os amigos de rua depois do colégio, ainda com o uniforme. Tirava o calçado não para não apanhar da mãe, mas porque podia sentir melhor a bola torta que de vez em quando chutava.

 

Nesta sociedade que nos tira a liberdade a cada minuto, sinto que ficar descalço assim que chego em casa, seja ao meio dia ou a noite, é a minha carta de alforria - tirar o calçado e plantar a sola no chão.

 

Sempre me rebelei quando minha mãe dizia que se ficasse descalço pegaria gripe. Na cabeça, preferia ter gripe a deixar de gozar esse prazer.

 

Andar sempre calçado pode trazer malefícios a saúde dos pés, pernas e também da coluna. Pode auxiliar no desenvolvimento de bactérias e do mal cheiro, diminuir a sensibilidade das plantas dos pés, causar hipersensibilidade – “aflição” de andar descalço – lesões na coluna, etc.

 

Por outro lado, andar descalço fortalece os membros e os músculos, aumenta a sensibilidade dos receptores das plantas dos pés e ajuda da percepção de irregularidades do terreno, aumenta também a conectividade com o mundo exterior, auxilia no equilíbrio, na estabilidade e na circulação do sangue e claro, dá uma sensação de alívio, liberdade e prazer.

 

Imagine andar descalço na grama grossa ou areia fresca da noite. Essas são sensações maravilhosas que os caminhantes calçados não podem desfrutar.

Andar descalço, eu percebi, é uma metáfora perfeita para a minha filosofia de vida: a filosofia descalço. Quando você andar descalço, você ficasse nu, você simplifica, torna-se minimalista.

 

Uma das coisas mais difíceis de andar descalço, no entanto, não é a temperatura ou dor possível de pedras, é a não-conformidade de tudo - é estar preocupado que os outros vão pensar que você é um idiota, ou sem-abrigo, ou alguma tipo de radical perigoso.

 

Descobri que a vida é melhor com menos, não mais, e quando você pensa de si mesmo como um ser humano e não um consumidor, estará se libertando do ciclo interminável de ser usado.