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Lava Jato e o brasileiro

Olá amigos(as)...Nestes últimos tempos, depois dos desdobramentos da operação Lava Jato, fiquei me sentindo um tanto quanto idiota. Percebi que o voto não é a garantia única contra políticos que desprezam o povo. A visibilidade da operação, no entanto, criou um cenário onde a população vê todos os políticos como suspeitos. Aí que é preciso reflexão.

 

Lava Jato e o brasileiro

A Lava Jato não é apenas uma coisa boa para o Brasil. Ela é ótima, por motivos éticos e penais. Mas a limpeza que ela está operando tem uma contrapartida sobre a qual é preciso pensar um pouco. Trata-se da desmoralização da atividade política, que traz como risco a desmoralização do próprio Estado.

 

É uma questão delicada. O Estado não funciona sozinho. Ele precisa que agentes com a legitimidade do voto possam direcioná-lo, mapeando cenários e implantando diretrizes. E esses agentes são aqueles que, para funcionarem socialmente, precisam ser reconhecidos por boas imagens. Ou seja, um governante não basta. Ele é uma presença jurídica e institucional muito fria. É também necessária a imagem dele como governante.

 

No Brasil, Fernando Henrique Cardoso Luís Inácio Lula da Silvatransmitiam vontade, energia. JáDilma Rousseff e, agora, Michel Temer, são pessoas mais à vontade no espaço fechado. Para Dilma, o problema de agora em diante será pessoal. Mas para Temer o capítulo histórico a ser escrito é necessariamente outro. Deverá ser um intrépido timoneiro em meio à tempestade da crise. Mas vem hesitando.

 

Seria ignorância acreditar, também, que “todos os políticos” estão no mesmo “balaio de gato”. São 5.563 prefeitos nos 26 Estados e no Distrito Federal. Cada um deles com uma Câmara Municipal, cada Unidade da Federação com seu governador e sua Assembleia Legislativa, e, na esfera federal, o Congresso e o presidente. Mas a Lava Jato, por sua merecida notoriedade, acabou por reforçar o velho preconceito segundo o qual políticos e larápios são palavras sinônimas a consenso.

 

A autoestima sobre a política

A autoestima política da civilização brasileira quase sempre esteve em padrões muito baixos. Sob o pano de fundo do pessimismo, somos incapazes de enxergar na Lava Jato um mecanismo de julgamento dos maus políticos para que, depois da limpeza, viesse uma nova geração de políticos bons, no sentido da moralidade. Mas para esse pensamento florescer e sobreviver, precisamos aprender de novo (se é que algum dia fomos sabedores) como pensar em fazer política. Ainda somos escravos de um sistema velho, que está pela “bola 8”, e é preciso preparação para mudança. Do contrário será necessário muita reza.

 

Ver toda a sujeira que acontece nos altos escalões da política brasileira não quer dizer que os políticos são todos “farinha do mesmo saco”, mas nos apresentou uma sensação inédita e real de participação, de cumplicidade no processo. Brotou uma certa baixa autoestima decorrente da culpa por escolhas erradas ou por acomodação. Mas vendo pelo lado bom, não é um lindo milagre quando um cego volta a enxergar?