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Já ouviu falar de astroturfing?

Eu não conhecia essa palavra até outubro, quando a gigante sul-coreana Samsung foi multada em US$ 340 mil em Taiwan por pagar pessoas para falar mal, na internet, de produtos da concorrente HTC e bem de seu próprio smartphone. Essas falas deveriam parecer depoimentos espontâneos do público.


Duas empresas de marketing que faziam tal “servicinho” também foram multadas pela Comissão de Comércio de Taiwan (FTC), que considerou a prática similar a uma propaganda enganosa.


Por conta da Samsung, descobri que turfe, além de hipismo, quer dizer prado, relva. E que Astroturf é nome de uma empresa que fabrica grama sintética. Por extensão, astroturfe é alguma coisa enganosa, que se faz passar por algo que não é de fato.


O astroturfing marketing consiste em dar a impressão de que há endosso público a algum produto, serviço, ideia ou pessoa, pagando gente para fingir esse apoio. Partidos políticos e sindicalistas fazem isso quando pagam pessoas para participar de comícios, passeatas ou vestir a camiseta de um candidato.


Na mídia, o astroturfing pode se dar em cartas ao editor ou mensagens em murais e fóruns de discussão, incluindo respostas a críticas feitas espontaneamente.


Ainda que antiético e ilegal, hoje é possível contratar empresas no mercado para fazer marketing de detração (quando alguém quer nocautear a imagem de um concorrente), além do marketing de evangelização (quando o assunto é conversão de pessoas a favor de algo).


Os sites de avaliação de produtos, os blogs e as redes sociais são paraísos para astroturfistas.


Há softwares que permitem aos astroturfistas mascarar a própria identidade. Com isso, um indivíduo pode operar com muitas personas diferentes, de acordo com a agenda do cliente.


Estudos sugerem que o astroturfing pode ser eficaz, já que muita gente não sabe que boa parte dos comentários e avaliações que vemos na internet são falsos.


Nosso comportamento é largamente influenciado pela opinião dos outros na vida. Na internet, temos a ilusão da verdade ao ler comentários do público, mesmo quando os comentários são forjados e os autores são inventados.


Bing Liu, professor do departamento de ciência da computação da Universidade de Illinois, em Chicago, estima que um terço das resenhas de consumidores na internet sejam falsas.

 

Fonte dos dados: Revista Superinteressante