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Forças que se movem nas sombras

Olá, amigos(as)...nesta semana falarei das possíveis implicações na geopolítica mundial com a saída do Reino Unido da União Europeia.

 

Forças que se movem nas sombras

O que muitos temiam aconteceu. Os eleitores do Reino Unido decidiram em referendo, na quinta-feira (23/06), abandonar a União Europeia (UE). Bolsas de valores despencaram em todo mundo. Dólar disparou. Estes fortes indícios de desorganização do mercado poderão provocar, no curto prazo, um forte recuo da produção industrial na Europa e em todos seus parceiros internacionais. O Brasil não sairá sem fortes arranhões, o que comprometerá o processo de saída da recessão e prejudicará os planos da sociedade brasileira e do presidente em exercício Michel Temer. Todos os acordos que o Brasil tem com o Reino Unido serão revistos após a completa saída de Londres do bloco.

 

Quem votou a favor da saída tem a seguinte justificativa: Para que o Reino Unido tenha controle sobre suas leis e finanças, para livrar-se dos burocratas da União Europeia, por mais controle no fluxo migratório, para não pagar por economias quebradas como as de Portugal e Grécia. E não é porque a UE seja ruim economicamente, pelo contrário. Vê-se a volta, portanto, do pensamento aristocrático dos ingleses, onde tudo aquilo que for contrário as suas regras é lixo.

 

A vitória da saída no plebiscito leva a ativação da Cláusula 50 do Tratado de Lisboa, que funciona como uma espécie de Constituição Europeia - dando início ao processo formal de retirada do bloco. Uma vez que o Artigo 50 é acionado, não dá para voltar atrás: um país só pode voltar à UE com o aval unânime dos outros países-membros. O processo de saída, porém, não é automático - ele tem de ser negociado com os membros.

 

Essas negociações têm prazo máximo de dois anos e o Parlamento Europeu tem poder de veto sobre qualquer novo acordo formalizando o relacionamento entre o Reino Unido e a União Europeia. O grande problema é a incerteza, já que nenhum país da União Europeia até hoje deixou o bloco desde sua criação. Para se ter uma ideia da complexidade, há pelo menos 80 mil páginas de acordos entre o Reino Unido e a União Europeia.

 

Pergunto-me se a saída do Reino Unido não se deu em virtude da grande aproximação que a Rússia vem fazendo com a União Europeia, inclusive oferecendo dinheiro ao Banco Central Europeu. Fato é que a Rússia tem constituído um modelo parecido com a União Europeia no Norte. Trata-se da União Econômica, fundada em 2015, que tem como membros: Rússia, Bielorrússia, Cazaquistão, Armênia e Quirguistão. Rússia vem buscando fortalecer sua economia. Já é autossuficiente em petróleo e gás natural, que vertem bilhões aos cofres do país. Ao passo que pouco o Kremlin gasta em programas sociais. Também está investindo fortemente na segurança nacional, ampliando e modernizando seu exército.

 

É possível, com uma alarmista especulação, que a saída do Reino Unido da União Europeia possa ser o início de uma desestabilização geral no bloco. Já há movimentações da Irlanda do Norte sobre uma possível união com a República da Irlanda, ou seja, sair da tutela de Londres; e na Escócia para voltar a pedir independência do Reino Unido. Com os países do Sul (Europa) em intensa agitação e um tanto quanto desunidos, ao passo que o Norte (Rússia) vem fortalecendo parcerias, é de esperar um conflito no horizonte. Até porque Israel fica entre estes dois reinos (Sul e Norte) e se torna ainda mais vedete. Por enquanto as forças se movem nas sombras, mas logo deverão se mostrar...