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Com os ouvidos abertos...no maior desânimo!

Nesta semana, zapeando em algumas rádios via internet, acabei parando em um programa da CBN Brasil que falava sobre aspectos financeiros do país e questionava do porque da classe empresarial estar tão desanimada, mesmo que a empresa dê lucro.

 

Pelos 30 minutos que seguiram, alguns empresários paulistas entraram ao vivo, ou por e-mail, manifestando contra um ponto comum apenas: a BUROCRACIA.

 

O que pode-se ouvir e entender, é que todos estão cansados mais da trabalheira, digamos, institucional: lidar com as leis e regulamentos, suas autoridades, os tribunais, os fiscais, o pessoal do Fisco, etc... do que com o produto da sua empresa em sí. É o maior desânimo, explicava um fabricante de roupas, jovem empreendedor: "Parece que a gente não trabalha no negócio, trabalha para os outros que ficam ali... atrapalhando".

Então está resolvido, basta vender a empresa e viver de juros ou especulações financeiras imobiliária e de ações na bolsa!

 

Parece a esses empreendedores que ouvi, da economia real, que a vida de investidor financeiro, rentista, é mais fácil e mais segura. Os dias passaram...



Estava com isso na pauta quando escuto, pela tevê, o comentário de um dos chefes do crime em São Paulo, grampeado numa conversa com um colega: "Tô no maior desânimo, irmão, só trabalho para os caras; neste ano, já paguei uns 700 contos pra eles".



Sim, são situações bem diferentes. Não estou nem de longe comparando empreendedores honestos com empresários do crime. Mas reparem: nos dois casos tem uma falha do Estado e das instituições. No primeiro, a burocracia (no sentido amplo) atrapalha uma atividade legal e produtiva, que deveria ser facilitada; no segundo, atrapalha uma atividade ilegal que deveria ser coibida, mas é preservada exatamente para dar lucro a agentes do Estado.

A queixa se iguala: "Estamos trabalhando para os caras".

 

Mesmo quando não é corrupta, a burocracia tende a se tornar um fim em si mesma. Quando se chega a esse ponto, ela não existe mais para regular e controlar a atividade legal ou coibir a ilegal, mas a atividade privada, qualquer que seja, só existe para dar sentido (e vantagens) à burocracia e seus agentes.



A que ponto chegamos: o fabricante de roupas e o distribuidor de cocaína no maior desânimo...