Pinhalzinho

18º

14º

Maravilha

18º

14º

São Miguel do Oeste

18º

14º

Chapecó

17º

14º

Cavalheirismo gera falsas expectativas em relacionamentos

O homem pagar sozinho a conta do restaurante depois de um jantar romântico, ajudar a mulher a carregar as compras ou abrir a porta do carro para que ela entre são atitudes consideradas exemplos de cavalheirismo. Mais precisamente chamado de sexismo benevolente por estudiosos das relações de gênero, esse comportamento é sustentado pela crença patriarcal de que a mulher é mais frágil e menos capaz. Por isso deve ser protegida, ajudada ou, como uma espécie de compensação, privilegiada com pequenas delicadezas.

Valorizadas em culturas sexistas, atitudes cavalheirescas costumam ser interpretadas não como opressão, mas como gentileza e até mesmo sinal de interesse e afeto pela mulher. Um artigo publicado no European Journal of Social Psychology, no entanto, esclarece que esse comportamento, na verdade, prejudica a relação saudável entre os gêneros. Se por um lado o sexismo benevolente favorece as primeiras aproximações, por outro aumenta as chances de frustração no relacionamento, afirmam os autores, psicólogos da Universidade de Auckland, na Nova Zelândia, que analisaram a percepção de 2.700 mulheres sobre cavalheirismo.

Eles observaram que aquelas que se sentiam mais lisonjeadas pelas deferências masculinas se mostraram mais insatisfeitas com o comportamento do parceiro em situações de conflito um ano depois, quando foram novamente entrevistadas. “Expectativas sobre como cada gênero deve se comportar são contrariadas pela realidade da vida a dois. É como se os problemas que invariavelmente surgem com a convivência não condissessem com o ideal do que é ser amada”, diz um dos autores, Matthew Hammond.

Outra pesquisa, da Universidade Estadual da Califórnia, analisou a percepção de ambos os sexos sobre o costume de o homem assumir as despesas no primeiro encontro. Cerca de 17 mil adultos jovens heterossexuais responderam a um questionário on-line elaborado pela psicóloga Janet Lever. De acordo com ela, 64% dos homens afirmaram esperar que sua parceira dividisse a conta, enquanto 44% das mulheres confessaram sentir-se incomodadas em pagar sua parte. A maioria dos entrevistados concordou que esse tipo de situação gerava constrangimento. Segundo Janet, a melhor estratégia nesse caso – como em tantas outras questões que surgem no relacionamento, frisa – é conversar sobre o assunto francamente.