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Alguns pontos a considerar

Olá amigos(as)...nesta semana de muita tensão no país venho ponderar algumas questões acerca do cenário instalado. É saudável que pensemos além das passionalidades.

 

Alguns pontos a considerar

Você pode ser a favor ou contra o impeachment de Dilma Rousseff, não importa. Mas se tem, pelo menos, dois neurônios funcionais irá concordar que grande parte da Câmara dos Deputados é composta de seres incapazes de demonstrar empatia, quiçá exercerem aquela que deveria ser a mais nobre das atividades, que é a política. Pelo contrário, consideram-se a si mesmos o centro do universo e seus interesses como os interesses do Estado.

 

Pois o que leva uma criatura, cuja imagem está sendo transmitida para o Brasil e o mundo, em um dos momentos mais importantes de sua vida política, achar que está no Show da Xuxa e mandar um beijo para a família? Infelizmente, a verdade é que essa miríade de deputados, apesar dos discursos bizarros, sabe conversar com um público que quer saídas rápidas e fáceis para seus problemas (brasileiro é freguês das facilidades). Fato que até o saudoso Raul Seixas já criticou na música Ouro de Tolo: "Eu que não me sento no trono de um apartamento com a boca escancarada cheia de dentes, esperando a morte chegar”...

 

Mas vamos aos pontos a considerar depois deste domingo:

 

1 - A votação do impeachment NÃO É uma final de Copa do Mundo, apesar de parte da sociedade estar vendendo-a como tal. Pode haver torcida por um resultado, campos adversários e muito roer de unhas, mas as semelhanças devem parar por aí. Se o destino do país for visto como um jogo, e os que saírem “derrotados” (sejam eles pró ou contra) forem tripudiados e não convidados a reconstruírem as pontes de diálogo derrubadas na escalada de tensão dos últimos meses, veremos um aumento no ódio e no ressentimento e a violência se instalará nas ruas.

 

2 - Independentemente do resultado, o país seguirá ingovernável por um bom tempo. Tanto a manutenção de Dilma quanto a ascensão de Temer serão questionadas por setores sociais que não enxergarão legitimidade na mandatária, no mandatário ou em um processo de impeachment conduzido por Eduardo Cunha. Não estou torcendo pelo caos, o caos já está instalado.

 

3 - A despeito de alguns excelentes oradores, tanto contra quanto pró impeachment, os discursos dos deputados federais foram um show de horror, mostrando o baixo nível de grande parte de nosso parlamento. Vi aberrações que, infelizmente, não podem ser desvistas e me acompanharão pela eternidade. Precisamos de uma reforma política decente.

 

4 - A quantidade de boatos e de informações erradas e mal checadas que circulou nos últimos dias foi assustadora e está influenciando o resultado. O conteúdo problemático veio aos montes pelas redes sociais, mas também de veículos de comunicação tradicionais e alternativos. Pior são as preferências político-partidárias de alguns veículos vazando para fora de onde deveriam ficar restritas – os editoriais e páginas de opinião – chegando à reportagem, transformando jornalismo em panfletagem. De ambos os lados da disputa.

 

5 – Movem-se as peças no xadrez, mas o tabuleiro continua o mesmo, quadriculado, e para entendimento de poucos.