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Acione seu cérebro empático

Olá amigos(as)...nesta semana volto a tratar de temas mais conceituais. Lendo fragmentos do livro “O Poder da Empatia” de Roman Krznaric¹ (filósofo e historiador), obtive a resposta científica de um fato já por mim experimentado: que a empatia é uma ferramenta que, ao nos colocarmos no lugar do outro, pode transformar o mundo para melhor. (1: Editora Jorge Zahar, edição 2015)

 

Acione seu cérebro empático

Roman mostra em seu livro que apesar de a empatia ter uma reputação mesquinha de ser uma emoção vaga, mas agradável, tem um potencial transformador social num status revolucionário. Não aquele tipo de revolução antiquada, baseada em novas leis ou governos, mas uma revolução das relações humanas. Definição de empatia: “é a arte de se colocar no lugar do outro por meio da imaginação, compreendendo seus sentimentos e perspectivas e usando essa compreensão para guiar as próprias ações”.

 

Segundo o psicólogo Simon Baron-Cohen, uma minúscula parcela da população (2%) tem o que se chama de Zero Grau de Empatia. Entre esses estão os psicopatas. O restante (98%) tem os mecanismos fisiológicos perfeitos para estabelecer uma conexão social empática com seus semelhantes. O escritor descreve uma pesquisa, realizada em 1945, pelo psicanalista austro-americano René Spitz, com aplicação ou não da empatia em bebês de abrigos diferentes. Num abrigo, comum na época, os bebês eram mantidos em total isolamento, quase sem contato com as amas. Apesar da boa alimentação e grande higiene, num período de dois anos 34 bebês morreram dos 91 abrigados. Já em outro abrigo, destinado a bebês de mães presidiárias, mesmo com higiene precária, a visita das mães era permitida uma vez ao dia. Resultado: nenhum bebê morreu. A chocante pesquisa de Spitz revelou que a afeição humana pode ser ainda mais decisiva para sobrevivência do que alimento e abrigo adequado.

 

O livro também dá destaque a pesquisa do holandês Frans de Waal, estudioso dos chipanzés, que foi eleito uma das pessoas mais influentes do mundo pela revista Time Magazine. Mas porque raios um estudioso dos chipanzés ganharia tamanha honraria? De Waal fez mais do que qualquer outra pessoa no planeta ao mostrar a existência do Homo Empathicus, ou seja, provou que a empatia é uma qualidade natural numa vasta gama de espécies animais, inclusive a nossa.

 

Neste ponto me fiz uma pergunta: mas então como viemos parar neste ponto da história onde a humanidade é movida pelo egoísmo, individualismo, intolerância, frieza e guerra? Não tardou para que a leitura me respondesse o questionamento. O escritor Roman Krznaric descreve o pensamento de vários pesquisadores no que se refere a ideia de que as tendências cooperativas naturais dos seres humanos entre si, apesar de serem a chave para uma coexistência pacífica, sustentável e próspera para a vida humana na Terra, acabaram sendo enterradas pelo rolo compressor da Economia de Livre-Comércio, já distorcida do seu significado raiz e sequestrada pelo neoliberalismo imperialista dos países do Norte.

 

Teóricos defensores dessa vertente distorcem a biologia dizendo que as competições, usando o tal clichê da “sobrevivência do mais forte”, são saudáveis. Mas, na verdade, servem apenas para implantar políticas de dominação, sejam físicas ou psicológicas. Já disse Che Guevara do livre-comércio: “livre competição para os monopólios; raposa livre entre galinhas livres”. Neste modelo econômico de pirâmide nós seres humanos precisamos “destruir” os competidores mais fracos para subir de classe. Trata-se da velha estratégia muito usada pelos romanos de dividir, isolar e conquistar. Isso é saudável para quem? Para poucos lhes digo com certeza.

 

A verdade é que somos descendentes de uma espécie, entre milhares de outras, que sobreviveram milhares de anos graças a cooperação entre seus membros. Empatia e solidariedade estão biologicamente dentro de nós, logo, o projeto de sociedade deveria refletir esse aspecto, mas não está. Estamos vendo o mundo se acabar em mortes pelas competições, não é? Nossa tarefa deveria ser a de recriar um mundo que permita, em vez de impedir, o florescimento do nosso eu empático. Isso seria revolução de verdade, o resto só competição.