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A inglória tarefa de vigiar o próprio prazer

Texto de Gláucia Leal.

 

O que a ciência mostra parece um contrassenso, na contramão de uma das ideias mais difundidas da sociedade de consumo, de que não devemos adiar a possibilidade de obter satisfação. E, de preferência, constantemente oferecer a nós mesmos e àqueles que amamos os mais variados produtos que se propõem trazer conforto aos sentidos. Ao contrário disso, porém, o que se vê na prática é que postergar nossos anseios traz bem mais prazer do que aplacá-los imediatamente. Já dizia o provérbio que “o melhor da festa é esperar por ela”.

Não precisamos ir muito longe para pensar o quanto ter o que queremos em quantidade, com variedade e sem grande esforço pode ser desestimulante. Basta pensar em uma criança que ganha brinquedos quase que diariamente, em comparação a outra que deve esperar datas comemorativas, como Natal ou aniversário, para receber o presente que deseja. Muito provavelmente a que aguarda, sonha com o mimo tão almejado e planeja o “grande dia” terá satisfação muito maior ao receber o brinquedo, em comparação à que mal tem tempo de desejar e o objeto já se materializa diante dela.

Em 1911, o criador da psicanálise, Sigmund Freud, falou com maestria sobre o funcionamento mental em relação às possibilidades de postergação ao apresentar em sua obra as noções de princípio da realidade e de princípio do prazer. Em linhas gerais, é possível dizer que o primeiro caracteriza-se pelo adiamento da gratificação e se opõe ao segundo, que leva a pessoa a buscar a satisfação e evitar o desconforto. O processo de amadurecimento saudável contempla a ampliação da capacidade de conviver com frustrações, nos esforçarmos para atingir o que desejamos e adiar o recebimento de recompensas. Ao fazer isso, prevalece o princípio da realidade e nos afastamos do princípio do prazer. Esse amadurecimento psíquico favorece atitudes mais tolerantes, nos permite manter compromissos, estabelecer prioridades e, consequentemente, alcançar objetivos nas diversas áreas da vida. Desenvolver capacidade de suportar a frustração da espera ou do empenho para conseguir algo, portanto, seria uma forma de aprender a cuidar melhor de si mesmo e, em última instância, obter mais satisfação? Psicólogos e psicanalistas garantem que sim.

 

FONTE: Revista Mente & Cérebro - versão online.

FOTO: LATINSTOCK/EWA KLOS/LEEMAGE/CORBIS/FINE ART BY CORBIS

LINK: http://www2.uol.com.br/vivermente/noticias/a_ingloria_tarefa_de_vigiar_o_proprio_prazer.html