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A Copa vai bem, a economia não!

Os estádios transbordam de gente e de alegria. As comemorações rompem madrugadas. Torcedores de todos os cantos do mundo aprenderam rápido nosso jeito de compensar as deficiências com simpatia e bom humor. O futebol jogado é de boa qualidade e, mesmo na pior das partidas, proporciona emoção. Em resumo, a Copa do Mundo no Brasil é o sucesso que todos gostariam que fosse para sempre.


Mas, no fundo, todos sabem que o reencontro com a realidade é inevitável. O que nem todos perceberam ainda, talvez por estarem envolvidos com a sequência dos jogos e com a torcida pelo hexacampeonato, é que o país até agora não deu sinais de que vai conseguir evitar que 2014 seja marcado por um dos piores desempenhos de sua economia dos últimos anos. Tão ruim que pode comprometer a manutenção do emprego e da renda das pessoas.

Os indicadores dessa situação estão por toda parte. O próprio governo, quando libera alguma bondade, forçado pela gravidade de números setoriais e pressionado pelo calendário eleitoral, acaba desvelando mais uma ponta do problema maior: a economia vai mal, está praticamente estagnada e não esboça qualquer reação.

É o caso da prorrogação da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) dos móveis e dos automóveis, anunciada segunda-feira. Os incentivos fiscais ao consumo desses produtos terminariam ontem, mas vão continuar valendo até o fim do ano. Velho carro-chefe da indústria nacional, a automotiva vinha perdendo vendas desde o início do ano, seja por causa da pré-falência da Argentina, principal importadora dos nossos veículos, seja pelo esgotamento da capacidade de endividamento do consumidor brasileiro.

Trata-se, portanto, do ocaso de duas apostas que já deveriam ter sido revistas há tempos e que, agora, ajudam a compor uma conjuntura preocupante. O anúncio da bondade tributária às montadoras ocorreu no mesmo dia em que o Banco Central divulgou mais um boletim com a média das previsões do mercado para a economia brasileira, com redução de 1,5% para 1,1% da taxa de expansão do PIB para este ano.