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A bruxa

NOTÍCIA - Um menino de 13 anos se enforcou depois que os seus pais o proibiram de usar o celular no Reino Unido, de acordo com o site Daily Star. Declan Gatenby foi colocado de castigo por uma semana porque estava indo mal na escola. No sexto dia, após uma discussão com o pai, que disse que o garoto teria que esperar mais 24 horas, Declan teve um ataque de raiva. Ele correu até seu quarto onde foi encontrado pendurado por um cinto por seu irmão de nove anos de idade.

 

Jordan contou que o irmão mais velho pensou que seu pai ia segui-lo antes que ele se matasse, o que não aconteceu.

 

— Eu ouvi a porta da frente abrir e fechar e achei que ele tinha saído de casa-disse o pai de Declan, Wayne Gatenby, de 31 anos.

 

A bruxa

Não falarei aqui do meu desânimo quanto à situação do país: cansei. Por algum breve tempo vou tirar férias dessa preocupação. Vou me concentrar no possível: os afetos, o trabalho, a vida. Então falo aqui de um tema que me fascina: a passagem do tempo.

Entre reflexões e observações, mais uma vez constatei o que todo mundo sabe: vivemos a idolatria da juventude — e do poder, do dinheiro, da beleza física e do prazer. Muitos gostariam de ficar para sempre embalsamados em seus 20 ou 30 anos. Ou ter aos 60, "alma jovem", o que acho muito discutível, pois deve ser bem melhor ter na maturidade ou na velhice uma alma adequada, o que não significa mofada e áspera.

Por que a juventude seria a melhor fase da vida, como se jovem não tivesse problemas e sofrimentos, doenças e perdas, e não lutasse contra enormes pressões da família, da turma, da sociedade, para ser e agir dessa ou daquela forma? O número de adolescentes que se suicidam ou tentam se matar é muito maior do que imaginamos.

Quem se mata espalha ao seu redor uma zona de culpa insensata: esse fica sendo seu triste legado, talvez sua cruel vingança inconsciente. Não notamos, não impedimos, nada fizemos, não porque não o amássemos, não nos importássemos, mas porque a gente é assim. Ou porque nada havia a ser feito, ser dito, apenas ser aceito com um rio de dúvidas e culpas pelo resto dos dias.

E quando alguém resolver não pagar mais o altíssimo tributo da acomodação, mas dar sentido à sua vida, verá que a bruxa dos relógios não é inteiramente má. E vai entender que o tempo não só nega e rouba com uma das mãos, mas, com a outra, oferece — até mesmo a possibilidade de, ao envelhecer, alargar ainda mais as varandas da alma.

 

Talvez se o pai de Declan tivesse tido, ou desejado, uma vida com mais “tempo” para se conhecer, quem sabe o destino trágico de seu filho não teria sido a morte, mas uma vida longe de castigos...