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Sandro Pallaoro: O maior presidente da história da Chapecoense

A Chapecoense era um clube modesto em 2008. Naquela temporada, disputou pela primeira vez a Copa do Brasil. Enfrentou o Internacional no antigo Estádio Índio Condá, a Arena Condá hoje, compromisso que ganhou o rótulo de “Jogo do Ano” em Chapecó e um dos mais importantes da história verde-branca até aquele momento. Afinal, a Chape era uma equipe sem divisão nacional e raramente enfrentava adversários de outros estados. Terminou a sua participação no Campeonato Catarinense em abril e só voltou a jogar em novembro, pela Copa Santa Catarina.

Foi nesse cenário que Sandro Pallaoro se aproximou da Chapecoense, a convite do presidente da agremiação na época, Edir De Marco. Entrou para auxiliar Jandir Bordignon, o então diretor de futebol. Os três morreram na queda do avião que levava a delegação do Oeste catarinense para a primeira partida contra o Atlético Nacional, pela final da Copa Sul-Americana, em Medellín. O acidente ocorreu no início da madrugada da última terça-feira no horário brasileiro de verão, fim da noite na Colômbia – são três horas de diferença no fuso.

Pallaoro participou do acesso à Série C do Brasileiro em 2009 e permaneceu no Verdão até abril de 2010. Ele e Bordignon foram dispensados pelo então presidente Nei Maidana, que depois se demitiu após o descenso no Catarinão. O clube só não caiu por que o Atlético de Ibirama se licenciou das competições profissionais antes das finais e perdeu todos os pontos, beneficiando a Chape. Pallaoro começou a dar a volta por cima como dirigente no fim da temporada. Ele aceitou o convite do empresário e colaborador Izair Gambatto para assumir a presidência.

 

Volta por cima

Começava ali uma trajetória de sucesso à frente do Verdão. Já no primeiro ano de gestão, em 2011, veio o quarto título catarinense. No ano seguinte, o tão perseguido acesso à Série B. Chegar entre os 40 principais clubes nacionais era um sonho dos dirigentes e dos torcedores. Parecia a glória, mas havia muito mais por vir. Em 2013, a Chape surpreendeu o País com a inédita ascensão à Série A. Diziam que o time do Oeste não aguentaria uma edição na elite. Quem pensou isso, errou. A equipe vai para o quarto ano entre os 20 melhores.

 

Na América

O Brasil ficou pequeno. Em 2015, a Chapecoense alcançou as quartas de final logo na sua primeira participação na Copa Sul-Americana. Venceu o River Plate por 2 a 1 na Arena Condá, mas foi eliminado por causa da derrota por 3 a 1 na Argentina. Neste ano, o quinto troféu do Estadual, a inédita classificação à terceira fase da Copa do Brasil, a melhor campanha na Série A – está em nono – e a presença na final da Sul-Americana. Tudo isso com Sandro Pallaoro no comando. O presidente mais vitorioso da história verde-branca.

 

Trabalho reconhecido por ex-dirigentes

Dezenas de dirigentes presidiram a Chapecoense nestes 43 anos de história do clube. Em fases boas e ruins. Todos tiveram sua parcela de contribuição para que o clube chegasse ao estágio atual. O clube esteve para fechar as portas por falta de apoio financeiro, mas no fim sempre apareciam voluntários para mantê-lo em atividade. Abnegados do passado reconhecem o momento da agremiação e reverenciam o trabalho de Sandro Pallaoro na função de presidente.

Alguns ex-presidentes se reuniram para fazer uma nota de pesar, encaminhada a veículos de comunicação. Neste encontro, sugeriu-se que Sandro Pallaoro seja intitulado “o maior presidente da história da Chapecoense”. Um dos que defendem esta ideia é Lírio Smaniotto, que presidiu o clube em 1989 e diretor em 1987. “É justo dizer que ele foi o maior. Conversei com outros ex-presidentes e todos pensam o mesmo”, disse o ex-dirigente, que confia na retomada do Verdão. “Estamos torcendo e dando um voto de confiança às pessoas que continuam à frente do clube”, concluiu.

Pallaoro também foi escolhido o Empresário do Ano em 2015 e era o atual presidente da Associação de Clubes de Futebol Profissional de Santa Catarina. Nascido em Pato Branco (PR), Sandro, 50 anos, morava havia 22 anos em Chapecó e era empresário do ramo hortifruti. Deixa mulher e dois filhos.

 

“Era amigo, carismático e de alma boa”

Gilson Vivian foi eleito presidente do Conselho Deliberativo da Chapecoense no mesmo dia em que Sandro Pallaoro assumiu a presidência do clube, no fim de 2010. Durante estes seis anos, o empresário, que ocupou outros cargos no conselho e também dirigiu o Conselho Consultivo, acompanhou de perto o trabalho do presidente que perdeu a vida na viagem à Colômbia.

“Nesse período, formamos uma amizade, aprendemos juntos e passamos por momentos bons e difíceis. Tomamos decisões sempre pautadas no que é melhor para o clube. Muitas coisas que foram planejadas lá atrás foram sendo executadas ao longo do tempo. Houve evolução. Nos inspiramos em entidades como a ACIC (Associação Comercial e Industrial de Chapecó), que já tinham um modelo de gestão a seguir. Estruturamos todas as áreas, o clube virou uma empresa e a figura do presidente se fortaleceu”, relata.

Empresário do Ano em Chapecó neste ano, Vivian também exalta as virtudes de Pallaoro. “O Sandro tinha espírito de coletividade, o senso do justo e foi um grande líder. Amava o que fazia, dedicava o seu tempo ao clube. Era amigo, carismático e de alma boa. Conquistou a nossa confiança”, reforçou Vivian. A criação das escolinhas, o fortalecimento das categorias de base e a construção de um centro de treinamento eram objetivos de Pallaoro que foram alcançados.

 

Fonte: Diário do Iguaçu