Pinhalzinho

24º

20º

Maravilha

23º

20º

São Miguel do Oeste

23º

20º

Chapecó

24º

19º

Rodrigo Vicenzi Cazarin (Chipe) e o desafio de escrever para a Universidade do Futebol

O novaerechinense Rodrigo Vicenzi Casarin (Chipe), ex-treinador das categorias da Chapecoense, atualmente é treinador da Categoria Sub 17 do Desportivo Brasil/SP e pós-graduado em Futebol e Futsal: As Ciências do Esporte e a Metodologia do Treinamento pela UGF.

 

 

Confira o texto:

Aceitei esse convite para escrever na Universidade do Futebol, primeiramente, como um grande desafio individual em que posso expressar minha forma singular e particular de enxergar as múltiplas faces do futebol. E também com a grande motivação de tentar provocar inquietudes variadas, positivas e negativas em todos vocês.

Semanalmente dividirei linhas nesse veículo informativo com pessoas de grande coeficiente profissional, que expressaram ao longo dos anos seus ideais, e externam atualmente sua forma de pensar. Será, sem dúvida, uma grande responsabilidade. Este veículo informativo vem crescendo ao longo dos anos, ganhando novos traços e ajudando muitas pessoas a entenderem o futebol como um fenômeno complexo, sistêmico, diverso, construído, estudado, analisado e científico.

Penso que escrever uma coluna é como um processo de treinamento/jogo. Necessitamos de conhecimentos gerais, conteúdos planejados, conjunturas, análise e dados. Mas, acima de tudo, precisamos de ideias específicas e mutáveis, sem contradição, todas balizadas por inquietude constante, curiosidade diária, críticas, convicção e emoção, transmitida pelo que se sente e se pensa. Um sentimento real de jogo, em que a ponta da caneta e os dedos no teclado estampam a verdadeira extensão do que acontece na gestão da complexidade do treinamento/jogo.

Venho ao longo de doze anos atuando como treinador, auxiliar, preparador físico e coordenador, tanto no futebol quanto no futsal (muito mais no futebol), estudando, vendo jogos e, principalmente, permutando informações com colegas da área esportiva em geral. Assim, fui desenvolvendo uma forma de enxergar, acreditar, operacionalizar e intervir. Nenhuma fórmula mágica, pois ela não existe. Somente uma configuração peculiar de identificar um fenômeno que gera diariamente inquietudes, emoções e possibilidades reflexivas constantes.

Transmitir isso para os jogadores através de ideias é um dos nossos grandes desafios como treinadores. E comunicar isso para os leitores, fazendo com que entendam e possam interagir, também será de agora em diante. Evidente que essas ideias não devem ser tomadas como um padrão, mas que estimulem debates e interações, abrindo assim, novos horizontes nessa troca de princípios. Todos nós possuímos conhecimentos de uma forma geral, mas todo dia podemos dar saltos para novos aprendizados, fortalecendo nossa visão, sem perder o que temos de melhor.

Quando lideramos um processo, temos a capacidade de fazer com que os jogadores nos sigam. Isso não podemos negociar na nossa profissão. É quase como a brincadeira siga ao mestre. Porém aqui, nesse espaço, essa não é minha intenção. Muito menos penso em criar a C.O.A (Comunidade Obscura Anônima) e o A.F.C (Alquimismo Futebol Clube). Também não pretendo ser bairrista ao ponto de defender um único ideal de olhos tapados. Vejo muitos endeusarem mestres, ou venderem ideias soltas como suprassumo. Agem como fanáticos de carteirinha, ficando longe da essência que os criadores idealizam. Dessa forma se distanciam do principal, que é a troca de ideias e o crescimento de todos. Simplesmente expressarei ideias que podem ser aproveitadas ou descartadas, distintas ou complementares, como todas. E estarei, sempre, aberto a contestações, opiniões e ajudas. Assim, crescemos todos.

Entendendo isso, iremos semanalmente, ressaltar fontes de aprendizado e utilizar dessas experiências/vivências, argumentos e conteúdos teóricos/práticos para explorar as seguintes temáticas:

– Organização de jogo/Análise de jogo/Exercícios de treinamento: todas as possibilidades internas conjunturais sinérgicas e também identificações quantitativas e qualitativas desses temas que são cruciais para a construção do jogar.

– Periodização Tática: temas relativos a essa metodologia para especialmente desmistificar alguns equívocos conceituais e processuais criados nos últimos anos.

– Aspectos gerais do treinamento: assuntos que abordam outras metodologias de treinamento, princípios do treinamento desportivo, diferentes visões de treinamento físico, SSG, aprendizagem motora, iniciação esportiva, relação funcional-estrutural com outros esportes e outros aspectos inerentes ao treinamento.

– Temas transversais: ideias que abarcam desde temas de momentos mais voltados ao extracampo, até gestão, psicologia, liderança e neurociência, entre outros.

Semanalmente esses temas serão desenvolvidos para não saturar uma temática única e previsível. Também para abrir maiores possibilidades dos leitores, dentro de suas áreas de atuação, realizarem reflexões constantes na temática semanal de interesse, ou até mesmo em todas as temáticas.

Por isso, inquietudes e críticas serão bem-vindas. Serão importantes para vocês como leitores, e mais ainda para quem escreve, pois contribuirá, e muito, para o crescimento substancial das colunas. Importante salientar que é na troca de experiências que encontramos a essência do futebol, do conhecimento e de tudo; a por vezes negligenciada “interação evolutiva”.

No facebook o professor escreveu a seguinte mensagem: “Aceitei o desafio de escrever todas as quartas na Universidade do Futebol. Espero expressar da melhor forma o que penso sobre o futebol e compartilhar as ideias de alguns amigos que tenho conversado e aprendido diariamente. Espero que todos vocês possam fazer suas análises e críticas”.

 

Texto: Rodrigo Vicenzi Cazarin