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Rodney ex goleiro da ADESP, fala de sua amizade com Pito

Um depoimento emocionante do Rodney, falando do amigo Jean Pierre Pito (Amigo é coisa pra se guardar, debaixo de sete chaves, dentro do coração).

Nossa amizade começou em meados de 1998. Quando começamos a jogar juntos na escolinha da AABB e estendemos, ela um pouco mais por descobrirmos por acaso que morávamos no mesmo bairro, quando certo dia sua mãe dona Jane passou com a sua moto carregando os dois filhos (Jan Jackson e Pito) que se tornariam dois dos meus melhores amigos. Passamos praticamente toda a infância brincando juntos, fosse andando de bicicleta, jogando bola atrás da minha casa, ou até mesmo treinando e viajando juntos pela escolinha da AABB de Chapecó. Porém após terminamos o ano de 2006 com a terceira colocação do estado na categoria sub 15 tomamos caminhos diferentes. Chapecó não faria mais time, e como eu havia recebido proposta para jogar por Criciúma, eu fui. O Pito demonstrava os traços que hoje estão muito mais lapidados, porém por ser um menino franzino não conseguiu o mesmo, e parou de jogar por um tempo. Lembro que foi por um tempo, pois a primeira vez que voltei de Criciúma, passei alguns dias em casa, ele já estava bem maior que eu. Não sei o que a dona Jane deu pra ele, mas ele estava literalmente uma girafa (risos).

Passado 2007, chegamos em 2008 com a possibilidade de jogarmos juntos novamente por Chapecó, porém eu mais uma vez acabei me deslocando para São Miguel do Oeste, e ele acabou ficando na AABB. Quando jogávamos contra eu estranhava por que ele não estava mais atuando como era de costume, foi ali que surgiu aquela dúvida que todo aquele crescimento que ele teve em relação a estatura pudesse ter atrapalhado toda aquela técnica que demonstrou em anos anteriores. Enfim, 2008 passou, em 2009 eu atuei pela Chapecoense futsal e ele estava no campo, porém jogaria os joguinhos abertos de Santa Catarina conosco. Todo mês, fazíamos um treino coletivo do time de joguinhos contra o adulto da Chapecoense, e nesses treinos ele literalmente deitava e rolava. Alguma coisa ele aprontava contra os adultos, era batata (risos). Porém mesmo apresentando um futsal bonito ele não fez parte da nossa equipe em 2009, e passou o ano jogando amadores e também campo, aonde pra mim ele pegou um pouco mais de malandragem pra ser o que ele é hoje.

2010 chegou, e então estávamos nós indo a Capinzal disputar um campeonato de penalidades que parava o município, fomos em um trio, eu (Rodney), o Pito e o nosso parceiro e amigo Pedro Ramos que nos fez o convite. Como não tínhamos dinheiro na época, era tudo patrocinado pelo pai do nosso amigo Pedro, o majestoso Tielis. Lá, uma noite, começamos conversar e entramos no assunto de futsal novamente, onde acabei contando pra eles que possivelmente estaria indo a Criciúma jogar pela faculdade e mais uma ajuda de custo, e na mesma hora os dois se mostraram interessados em ir também. Depois daquilo que eles falaram eu até comentei que tentaria arrumar vaga na equipe, para os dois irem comigo, já que ainda estavam montando a equipe. O torneio de penalidades não rendeu muito para nós, porém a conversa da noite nos rendeu as passagens para Criciúma, onde em questão de 1 hora que estávamos juntos eu recebi a ligação da comissão da equipe de Criciúma, e logo estávamos os 3 acertados para jogar lá. Pra mim era uma imensa felicidade ir com dois dos meus melhores amigos até lá e desfrutar dos momentos com eles, fazendo o que mais gostávamos (jogar futsal). O ano de 2010 não foi fácil, passamos por poucas e boas, tanto que em certa etapa do ano o nosso amigo Pedro resolveu voltar para casa. Para eu e o Pito era mais difícil ainda, já que recebíamos exatos R$ 225,00 reais de salário mais a bolsa na faculdade, levando em consideração que a passagem até Chapecó custava 130,00 reais. Ou seja, ou nos mantínhamos lá, ou íamos para casa. Porém, esqueceram de falar isso pro Pito, que além de ganharmos pouco, era sagrado que toda vez que recebíamos ele ia pro mercado e comprava um monte de besteiras, chocolate, leite condensado, morango, bolacha, gomas e coisas do tipo.. E o melhor é que nunca engordava (risos). Porém nem tudo era alegria, passamos alguns momentos de aperto onde não tínhamos, dinheiro no bolso, e o que nós salvou em vários momentos foi a lasanha da dona Jane (mão do Pito) que o Pito sempre dividiu comigo, ou até o próprio miojo, que por algumas vezes podíamos nos dar o luxo de ter um suco acompanhando a refeição (risos). Dentro da quadra o ano foi bom, pela estrutura que tínhamos, eu e o Pito fomos convidados para treinar com a equipe adulta de Siderópolis que na época jogava a divisão especial e era comandada pelo treinador Serginho (atual treinador da seleção brasileira). Meu amigo e meu treinador na seleção catarinense. O Pito não perdeu muito tempo e começou a deitar e rolar nos treinamentos com eles, recebendo já a proposta, para jogar a fase estadual dos jogos abertos com a equipe Siderópolis.

Passado aquela etapa, por indicação do hoje tecnico Athie, Pito recebeu proposta da ADESP Futsal de Pinhalzinho aonde dessa vez foi ele quem me indicou e fez com que jogássemos juntos. Em 2011 nem tanto, mas 2012 ele foi espetacular e eu posso afirmar com todas as letras de que nunca joguei com alguém tão fora de série como ele. E que quanto maior a dificuldade da partida mais ele brilhava. Hoje ele dispensa comentários. Todo o Brasil conhece o Pito, e é como eu sempre falo, eu não sei se ficaria tão feliz se eu estivesse no lugar dele.Do que hoje vendo daqui de longe o crescimento e amadurecimento desse cara. Uma pessoa que além de espetacular dentro da quadra tem um coração enorme e uma humildade fora de série. Fico imensamente feliz de ver ele brilhando, e me sinto mesmo que de longe responsável por um pedacinho disso tudo. O Pito que é meu amigo, sempre foi um dos melhores do Brasil, só que para o resto do país ele só foi apresentado agora.

A música, Canção da América de Milton Nascimento e Fernando Brant é propícia para o momento em que Pito vai deixar o país, familiares e amigos, rumo ao futsal espanhol.

Amigo é coisa pra se guardar, debaixo de sete chaves, dentro do coração, assim falava a canção que na América ouvi, mas, quem cantava chorou ao ver o seu amigo partir, mas quem ficou, no pensamento voou, com seu canto que o outro lembrou. E quem voou no pensamento ficou, com a lembrança que o outro cantou. Amigo é coisa para se guardar
no lado esquerdo do peito, mesmo que o tempo e a distância, digam não, mesmo esquecendo a canção. O que importa é ouvir a voz que vem do coração. Pois, seja o que vier, venha o que vier.
Qualquer dia amigo eu volto a te encontrar
Qualquer dia amigo, a gente vai se encontrar.

Boa sorte Pito!