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Léa Campos (A primeira mulher a arbitrar futebol no mundo)

Léa revela falsidade de Havelange e prisões pra virar 1ª árbitra

                                                                                                                                                                                                                       Asaléa de Campos Micheli nasceu em 1945, em Belo Horizonte, Minas Gerais. Desde o período escolar, ela já mostrava sua paixão pelo futebol e era a centroavante do time de meninas. O amor pelo futebol fez Léa Campos virar um grande exemplo de coragem. Uma pioneira que entrou para a história. Com muita determinação, ela se tornou a primeira árbitra de futebol do mundo ainda na década de 60. Nem a ditadura, nem o preconceito em um meio tão machista, nem a repressão do Dops, nem as brigas com João Havelange foram capazes de derrubá-la. Ao contrário. Léa é daquelas pessoas teimosas, que acha que quanto mais difícil melhor é o desafio. Em entrevista recente ao portal UOL esporte, ela narra a sua trajetória na arbitragem. "Foi uma luta muito grande, mas consegui". O amor pelo futebol surgiu de forma despretensiosa. Começou ainda criança aos oito anos de idade quando seu pai construiu uma bola feita de trapos que virou seu brinquedo predileto, algo inapropriado para a época. Léa foi crescendo e a repressão não vinha mais dos colegas de escola e dos professores. A ditadura imperava no país e era proibido mulher jogar futebol. Volta e meia, os policiais do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) apareciam nos campos de várzea para acabar com a festa. "Fui presa várias vezes por causa de futebol feminino, por jogar futebol. Não estava respeitando a constituição que proibia mulher de jogar futebol. A gente estava jogando normalmente em campo de várzea, quando vinha o camburão da Federal. Eu falava com as meninas: “Podem correr que os homens já chegaram”. Eu dizia que não era para levar todo mundo, que a responsável era eu. Eu só perguntava: Vai me algemar com as mãos para trás ou com as mãos para frente”? Me levaram tantas vezes que fiquei amiga do delegado". Depois de mais de 15 prisões que ela contabiliza, Léa se cansou. Foi aí que decidiu ser árbitra de futebol, já que a constituição não dizia nada sobre o apito. Em 1967, ela resolveu fazer um curso de oito meses na Escola de Árbitros da Federação Mineira de Futebol. Com o diploma nas mãos, poderia exercer livremente a profissão, mas encontrou um empecilho maior ainda que os policiais. O então presidente da Confederação Brasileira de Desportos e futuro presidente da Fifa, João Havelange, não aceitava lhe conceder o título. Começou aí uma luta de quatro anos em que a cada encontro com seu maior desafeto virara um capítulo à parte na novela. Segundo Léa, o mandatário usou várias desculpas como afirmar que as mulheres não tinham condições físicas suficientes para apitar um jogo. Ela chegou a procurar um médico que provasse o contrário. Até o ciclo menstrual feminino virou assunto. "Ele falou assim: 'E quando você estiver naqueles dias, como você vai apitar futebol? Se sujar a roupa, será um vexame'. Eu falei 'Oh Havelange, você é campeão de natação no Fluminense. Como as suas coleguinhas nadam quando estão nesses dias especiais que o senhor acabou de mencionar? Isso não vai acontecer porque eu vou me proteger muito bem. Alguma vez alguma colega lá sua vazou na piscina? E não vai me dizer que molhar não é bem mais perigoso que correr? “Ele cruzou os braços”: “olha aqui, Léa”. Tem quatro anos que você está azucrinando a minha cabeça para ser árbitra de futebol. Então eu vou te falar uma coisa. Enquanto eu for presidente da CBD, mulher não joga e nem apita futebol. Sabe por quê? “Porque eu não quero”.                                                                         Atualmente Léa hoje com 70 anos, mora em Nova York, nos Estados Unidos, e acompanha o futebol de longe. Sempre que pode, vai a eventos e dá palestras. Antes de iniciar na arbitragem, Léa Campos cursou faculdade de jornalismo.                                        Três anos depois que ela conseguiu a liberação para apitar, foi preciso parar. Em fevereiro de 1974, um sério acidente de carro a tirou dos gramados.                                                                                                                 Quando jovem, foi eleita Miss Belo Horizonte e Rainha dos Ex-combatentes.

 

Saudações Santista, e até a próxima matéria!