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Ganancia e irresponsabilidade causou acidente com a delegação da Chapecoense

O jornalista Cosme Rímoli do portal R7 publicou as seguintes informações em seu blog:

Foram necessárias 71 mortes. Só assim para que a vergonhosa operação, que mantinha a minúscula e lucrativa companhia aérea LaMia, viesse à tona. Os procuradores do Ministério Público da Bolívia acordaram tardiamente. Mas foram ontem à seda da empresa, em Santa Cruz de La Sierra. Prendeu o diretor-geral da companhia aérea, Gustavo Vargas Gamboa. Foram levados computadores e documentos relativos ao terrível acidente que vitimou a Chapecoense, vinte jornalistas e tripulantes. Depois, foram até também foram ao escritório da Administração de Aeroportos e Serviços Auxiliares à Navegação Aérea (AASANA), no Aeroporto Internacional de Viru Viru, em Santa Cruz. Foram prender Celia Castedo Monastério, a funcionária que questionou o plano de voo. Considerou que a autonomia do avião que levava a Chapecoense era idêntica à distância entre Santa Cruz de la Sierra e Medellin, 3.900 quilômetros. A possibilidade de pane seca, falta de combustível, se mostrava enorme. Mas mesmo assim, acabou autorizando o voo. O alvo da busca e apreensão foi a sala da funcionária Celia Castedo, que questionou o plano de voo do avião da LaMia antes do acidente na Colômbia. Na última segunda-feira, Castedo deixou a Bolívia rumo ao Brasil, passou o dia em negociações com seu advogado e autoridades brasileiras e foi levada à noite à delegacia da Polícia Federal da cidade de Corumbá (MS) para que apresentasse um pedido de refúgio. Celia já enfrentava a Aasana (Administração de Aeroportos e Serviços Auxiliares à Navegação Aérea da Bolívia), que apresentou uma denúncia penal contra ela. A acusação é pelo "não cumprimento de deveres" e "atentado contra a segurança dos transportes". Ambos os casos podem levar a uma pena de um a quatro anos de prisão.

Procuradores bolivianos já anteciparam que a investigação sobre a LaMia deve resultar em homicídio culposo. A firmeza com que a empresa está sendo tratada é resultado da denúncia de favorecimento do governo Evo Morales. Gustavo Vargas Gamboa é pai de Gustavo Vargas Villegas, funcionário do alto escalão da Direção Geral de Aeronáutica Civil da Bolívia. Ele protegeria a empresa do pai. Resolveria situações como o questionamento do plano de voo da LaMia levando a Chapecoense. Gustavo também teria contatos com a Conmebol. E ofereceria os quatro aviões do pai mais baratos para o transporte de delegações de futebol. Com o escudo de Gustavo, os aviões e planos de voo da LaMia não eram realmente vistoriados. Qualquer problema, o tráfico de influência resolvia. Algo criminoso, principalmente envolvendo aviação.

O que era trágico ficou insustentável. No dia 11 de novembro, a LaMia transportava a Seleção da Argentina, com Messi, chegou a Buenos Aires com tanque de combustível quase vazio. O avião saiu de Belo Horizonte, após a derrota para o Brasil por 3 a 0. De acordo com sistema de monitoramento de voos FlightRadar 24h, o trajeto realizado durou 4 horas e 4 minutos. Esse tempo é apenas 18 minutos a menos do que o indicado pela própria LaMia como a capacidade de voo do avião Avro RJ85. Detalhe: o avião era o mesmo que caiu com a Chapecoense em Medellin.

Jornalistas investigaram profundamente a LaMia. E o resultado foi chocante. A divulgação do tráfico de influência; a roleta russa que fazia com combustível, por economia; a exposição da vida de jogadores de clubes, seleções, jornalistas, tripulantes e habitantes. Finalmente o governo boliviano teve de acordar diante de tantos absurdos. Mas infelizmente acordou tarde.

Setenta e sete pessoas pagaram pelo descaso. Seis sobreviveram. Mas entre as 71 que morreram, estava o piloto Miguel Quiroga. Além de conduzir a aeronave, era sócio proprietário da LaMia. E responsável pelo plano do voo. Do desprezo ao abastecimento em Bogotá. Bastariam R$ 10 mil em combustível e uma hora a mais de espera.

A Chapecoense havia pagado 130 mil dólares, R$ 443 mil pelo transporte de sua delegação. A ganância provocou a tragédia. Mas teve uma cúmplice poderosa. A negligência total do governo boliviano com esta empresa chamada LaMia.

Faltavam apenas 30 quilômetros para o aeroporto de Medellin.

Cinco minutos de voo.

R$ 10 mil economizados de combustível.

Revoltante...

 

Fonte: R7/Cosme Rímoli