Pinhalzinho

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Egon Teodoro Müller (Apaixonado pelo futebol e pela vida)

      Do prazer em jogar futebol a tragédia, essa é a história de Egon Teodoro Müller, popularmente conhecido como Pé de Pato, que vem sendo contada em uma série. Na última edição falamos da sua carreira e das conquistas. Hoje publicamos parte de um depoimento dado pelo próprio Egon.                          

      Entre jogadas, disputas, gols e vitórias a vida vem e soa seu apito mais alto, numa noite de alegria e celebração eu vi meu tempo ser cronometrado como em morte súbita”. Descreve Egon. Que também relata o acidente sofrido:  Eu que viajava por este Brasil com meu caminhão e me acostumei com a estrada, fui surpreendido por uma mudança de percurso, um concerto de cano de água e possível imprudência me custou o fim do futebol, fim da liberdade, fim dos meus movimentos, muita dor e sofrimento. Uma pancada letal, que me deixou desacordado de imediato e causou danos irreversíveis em minha medula. Mesmo adormecido e inconsciente, de alguma forma ainda sinto o desespero de meus amigos que vinham no carro logo atrás de mim, que vieram prontamente me socorrer e lá me encontraram desacordado, com sangue escorrendo pela cabeça, instintivamente me tiraram do carro o mais rápido que puderam e me levaram ao hospital de Pinhalzinho.Entre dor, angustia e desespero, senti um misto de decepção e raiva, medo e tristeza quando percebi que já não podia sentir minhas pernas, que já não comandava meu corpo, já não era mais dono de mim e que tormento ver o médico passar a caneta em meus pés e eu desejar profundamente que pudesse sentir, mas, não sentia.Meus familiares e amigos foram incansáveis na busca de ajuda, consultamos diferentes profissionais, buscamos ajuda espiritual, onde havia uma pequena esperança lá corríamos desesperados. Estive no centro de referência para tratamento destas lesões, no Hospital Sara de Brasília, onde tive contato com os mais renomados profissionais e uma equipe com conhecimento amplo e humanização palpável, mas, não podia me sentir feliz, nem tampouco ser grato, tudo que me diziam era que precisava me adaptar a nova realidade e eu me sentia  triste, frágil e indesejado como se fosse o último reserva do time que ninguém pretende escolher, cheguei a pedir que o jogo terminasse. E isso doeu, dói e vai doer pra sempre, nunca será fácil admitir que não posso me locomover e tampouco fazer atividades tão simples e cotidianas como espantar mosquitos, lavar o rosto, escovar os dentes, beber água, comer, nada disso mais poderia fazer sozinho.Eis que a partida mais difícil de minha vida tem seu apito inicial decretado, na arquibancada uma torcida fanática e fiel: minha família e amigos e eu querendo mais do que nunca sair vitorioso. Naquele momento eu tive a dolorosa certeza de que não poderia jogar sozinho e mais do que nunca precisaria da melhor equipe para alcançar esta conquista. E ainda que por alguns momentos eu pensasse em abandonar o jogo, em meus braços ainda pulsava a força e a garra da faixa de capitão, sou guerreiro e não me deixo derrotar. Respirei fundo, levantei a cabeça e deixei bem claro pra vida que esse jogo era meu!  

      Na foto em destaque, Egon está com o sobrinho Gabriel e com Dirceu Silveira na quadra municipal de Modelo. O depoimento do guerreiro Egon Teodoro Müller segue na próxima edição!

Saudações Santista, e até a próxima matéria!