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A casa caiu para Marco Polo Del Nero

A situação de Marco Polo Del Nero saiu de controle. Agora o dirigente espera duas coisas. A decisão do Comitê de Ética da Fifa. E o que a CPI do Futebol apurará. Seu sigilo bancário, fiscal e telefônico não existe mais. A situação está complicadíssima. Como ele jamais sonhou. Não será surpresa se perder o cargo ainda hoje ou qualquer dia.  À procuradora-geral de Justiça Norte Americana. Loretta Lynch foi firme. E disse para o mundo ouvir. Depois de investigações do FBI, Marco Polo Del Nero e o ex-presidente da CBF, Ricardo Teixeira, eram acusados oficialmente de corrupção. Os dois e mais Alfredo Hawit, Ariel Alvarado, Rafael Callejas, Brayan Jiménez, Rafael Salguero, Héctor Trujillo, Reynaldo Vazquez, Juan Ángel Napout, Manuel Burga, Carlos Chávez, Luís Chiriboga, Eduardo Deluca, José Luis Meiszner e Romer Osuna. Napout e Hawit foram presos hoje na Suíça. Se Marco Polo tivesse desobedecido a seus advogados e estivesse por lá, também seria trancafiado. Ele já estava transtornado. A CPI do Futebol havia conseguido a quebra do seu sigilo bancário, fiscal e telefônico. Dele e de uma de suas belíssimas namoradas, Carolina Galan. Eram golpes fortes demais. Desmoralizantes. O homem de 74 anos não suportou. Como fui avisado logo pela manhã, abandonou a CBF.

As 19h35, a entidade publicou a seguinte nota. "A Confederação Brasileira de Futebol vem a público informar, face às noticias veiculadas nesta data, que o Presidente Marco Polo Del Nero apresentou pedido de licença do cargo com a finalidade de dedicar-se à sua defesa, em vista de ter seu nome mencionado em acusações relatadas pela Justiça norte-americana e pelo Comitê de Ética da FIFA”. “Em nenhum dos procedimentos mencionados foi conferida ciência ao Presidente do conteúdo das acusações, sendo certa sua absoluta convicção da comprovação de sua inocência, tão logo possa exercer os consagrados e constitucionais direitos ao contraditório e à ampla defesa”. "Neste período de licença, o Presidente, em cumprimento às suas atribuições estatutárias, designa, interinamente, para o exercício da Presidência da CBF o Vice-Presidente Marcus Antônio Vicente." O pedido de licença de Marco Polo del Nero se tornou real. Massacrado pelas acusações, ele se licencia. Terá, no máximo, 180 dias para lavar sua honra. Se não voltar, terá de renunciar. E no seu lugar ficaria quem ele não deseja, o vice mais velho. Delfim Peixoto Filho, presidente da Federação Catarinense há nada menos do que 30 anos. Principal desafeto de Marco Polo Del Nero, Delfim Pádua Peixoto Filho prefere não comentar a licença do presidente da CBF. Em entrevista por telefone, o mandatário da Federação Catarinense de Futebol (FCF) disse que aguarda o fim de uma investigação do Conselho de Ética da Fifa, que pode render a Del Nero uma suspensão de todas as atividades relacionadas ao futebol. Somente após o resultado é que Delfim irá se manifestar. Nesta sexta-feira (04/12), Delfim Pádua Peixoto Filho não esteve no encontro de presidente de federações na CBF, no Rio de Janeiro. De acordo com o mandatário da FCF, não foi feito o convite para a participação. A decisão de Del Nero de pedir licença se deu principalmente para evitar a ascensão de Delfim Peixoto, presidente da Federação Catarinense de Futebol e seu desafeto, ao cargo.

O capixaba Marcus Vicente foi cuidadosamente instruído por Marco Polo. O combinado é que não tome qualquer atitude radical. Não mude nada na CBF. Porque Del Nero tinha a certeza que voltaria ao cargo, quando o instruiu há mais de 50 dias, quando o cerco começava a apertar. Na ocasião, o deputado federal do PP garantiu que nada faria. E que o presidente da CBF poderia confiar nele. Del Nero quase muda de ideia. E opta por Fernando Sarney. Porque percebeu que Marcus Vicente fez questão de fazer uma consulta pública no Congresso, perguntando se poderia se licenciar para assumir a CBF. Marco Polo havia pedido sigilo. Mas decidiu seguir o seu plano diante da postura, aparentemente submissa do capixaba. "Eu estou chegando para pacificar. E não para fiscalizar a CBF. Isso deixo para órgãos competentes", acaba de dizer à Folha, confirmando sua postura passiva. Pelo menos neste início.

Marco Polo del Nero ficou o máximo que pôde no cargo. Mas, advogado astuto que é, percebeu que deveria agir. Virá para São Paulo, sua cidade. Aqui estará em contato constante com o advogado criminalista que contratou a peso de ouro, José Roberto Botochio. Seu medo maior não é o de ser extraditado. Marco Polo nasceu em São Paulo, no Brasil. E o país não extradita brasileiros. Para ele não seria problema ficar proibido de viajar ao Exterior. Ele quer se precaver. Não deseja que as autoridades brasileiras sigam o pedido do Departamento de Justiça dos Estados Unidos. E dê sequência às acusações.

Marco Polo, José Maria Marin e Ricardo Teixeira precisam se defender de acusações gravíssimas. E com penas que chegam a vinte anos. O trio criou mecanismos para fraudar a Fifa e a CBF. Está escrito de forma clara no documento de indiciamento do Departamento de Justiça dos Estados Unidos. Del Nero teria recebido propina para a Copa América e para a Copa do Brasil. E ainda teria pedido mais propina, ao lado de Teixeira e Marin, para a Libertadores da América. Tudo está documentado na investigação do FBI. Teixeira teria recebido dinheiro ilícito, provavelmente da Nike. Já a dupla Marco Polo e Marin teria dividido propina oferecida por Jota Hawilla, ex-dono da Traffic. O FBI chegou até a documentar frases de Marin pedindo o dinheiro a Hawilla. E foi além. Descobriu que teria sido dividido com seu sucessor na CBF.                                                                                                                               

Se tivesse seguido na Federação Paulista, estaria rico. Mas a ambição de ser presidente da CBF falou mais alto. Queria mais poder, notoriedade, ganância. Foi sua maldição.

Fonte: Blog do jornalista Cosme Rímoli