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Uso de agroTÓXICOS na agricultura (Parte 1)

      Desde a Revolução Verde, na década de 1960, o processo tradicional de produção agrícola sofreu drásticas mudanças, com a introdução de novas tecnologias, visando a produção extensiva de commodities agrícolas (soja, milho, café, cana-de-açúcar, etc). Estas tecnologias envolvem, quase em sua maioria, o uso extensivo de agrotóxicos, defensivos agrícolas, pesticidas, praguicidas, remédios de planta ou veneno: são inúmeras as denominações relacionadas a um grupo de substâncias utilizadas com a finalidade de controlar pragas, doenças e visando aumentar a produtividade. Utilizo o termo agrotóxico, tendo em vista seu potencial tóxico e devastador do meio ambiente e da saúde humana.

      Segundo a legislação vigente, agrotóxicos são produtos e agentes de processos físicos, químicos ou biológicos para uso no cultivo, armazenamento e beneficiamento de produtos agrícolas, para alterar a composição da flora ou da fauna, a fim de preservá-las da ação de seres vivos nocivos. Para serem produzidos, exportados, importados, comercializados e utilizados devem ser previamente registrados em órgão federal, de acordo com as diretrizes e exigências dos órgãos federais responsáveis pelos setores da saúde, do meio ambiente e da agricultura. Mas sabe-se que seja pela falta de fiscalização, pela fragilidade legislativa ou qualquer outro motivo, problemas envolvendo a venda, o registro e a utilização de agrotóxicos ainda são comuns no Brasil. Para exemplificar, o país consome 14 agrotóxicos proibidos no restante do mundo, além de inúmeros outros que são vendidos e usados de forma ilegal, falsificados e contrabandeados.

      Os agrotóxicos são considerados extremamente importantes no modelo de desenvolvimento da agricultura no mundo. Anualmente são usados no mundo aproximadamente 2,5 milhões de toneladas. O Brasil é o maior consumidor do mundo desde 2009, representando aproximadamente 16% do consumo no planeta. Mais de um bilhão de litros de agrotóxicos são jogados nas lavouras anualmente, ou seja, o consumo médio é de 5,2 litros por habitante, todo ano. O crescimento do mercado brasileiro foi de 176% entre os anos de 2000 e 2008 –3,9 vezes acima da média mundial, que foi de 45,4% no mesmo período. Se considerarmos um período maior, últimos quarenta anos o consumo aumentou 700%, enquanto a área agrícola aumentou 78% nesse período.

     O comportamento do agrotóxico no ambiente é bastante complexo. Quando utilizado, independente do modo de aplicação possui grande potencial de atingir o solo e as águas, principalmente devido aos ventos e à água das chuvas, que promovem a deriva, a lavagem das folhas tratadas, a lixiviação e a erosão. Além disso, qualquer que seja o caminho do agrotóxico no meio ambiente, invariavelmente o homem é seu potencial receptor.