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Tráfego controlado

   Na edição passada escrevi sobre compactação de solos. Nessa vou discorrer sobre um método eficiente para controle desse processo de degradação: o tráfego controlado. Esse método parte do princípio de que as condições ideias de solo para o desenvolvimento das plantas é o contrário da condição ideal para o tráfego de animais. As plantas precisam de um solo solto, úmido e profundo. No lado oposto, as condições ideais para o tráfego de máquinas é um solo seco, bem drenado e compactado o suficiente para dar suporte e aderência aos rodados, ou seja, quase uma estrada.

   Para aliar essas duas condições ideias a solução é separar a zona de cultivo da zona de tráfego. É isso que é chamado de Tráfego Controlado. O controle de tráfego incorpora a topografia (declive, drenagem e manejo de águas), a estrutura de solo, os aspectos agronômicos, a facilidades de manejo (tempo, flexibilidade e eficiência) e o alinhamento de máquinas para que todas as rodas ocupem os mesmos caminhos permanentemente. Diferente do que muitos afirmam, tráfego controlado não é agricultura de precisão e sim um método que aumenta o seu desempenho.

   Esta técnica não é novidade, na literatura aparecem diversos trabalhos na Austrália já na década de 1980, porém com inúmeras dificuldades no início. Hoje com uso do GPS, este controle se torna muito mais simples e preciso e o tráfego controlado vem se expandindo por diversas regiões do mundo. No Brasil ainda são poucas as experiências, limitando-se a alguns trabalhos de pesquisa e poucos agricultores pioneiros.

   Quando bem planejado e executado o método permite limitar a área “pisoteada” pelos rodados a cerca de 10 a 20% da área plantada. Em condições normais de tráfego aleatório esta porcentagem chega a ser de 80 a 90%.

   De forma geral, o sistema apresenta como benefícios a melhor margem bruta pelo aumento de produção e redução de custos. Alguns itens podem ser citados como benefícios do controle de tráfego nas lavouras, além claro da redução da compactação: melhoria na estrutura do solo ao longo dos anos, aumento de até 15% na produtividade das lavouras, aumento da infiltração de água no solo, maior eficiência no uso de fertilizantes, redução no consumo de combustível, redução no uso de insumos e maior eficiência, além de benefícios ambientais significativos.

   Para aqueles que quiserem iniciar o tráfego controlado em suas lavouras, a melhor forma é visualizar o controle de tráfego como parte do sistema de produção e não como prática isolada. Visitas a lavouras que adotam a prática e também dias de campo e grupos de agricultores inovadores é fundamental. Recomenda-se iniciar com um desenho da propriedade. E ainda o planejamento cuidadoso, seguindo dois princípios básicos: ajustar a largura de trabalho e a bitola de todos os equipamentos, de modo que possam utilizar as mesmas trilhas permanentes. E é importante ter a assistência de profissionais com experiência na área.

   Sem dúvida a racionalização e o planejamento do tráfego de máquinas em lavouras sob plantio direto é uma necessidade que deverá fazer parte do manejo das lavouras e da sustentabilidade da produção de grãos e de uso de recursos naturais.