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Sobressemeadura de gramíneas de inverno em pastos tropicais

Em sistemas de produção animal baseados em pastagens, um dos maiores desafios para o ajuste da produção de alimento às necessidades do rebanho é a distribuição irregular da produção de forragem ao longo do ano. Esse fenômeno é conhecido como estacionalidade de produção. Tal fenômeno decorre das variações nas condições ambientais, como temperatura, pluviosidade (chuvas), e fotoperíodo (comprimento do dia ao longo dos meses do ano), gerando épocas propícias ao crescimento das forrageiras, em que pode haver excesso de produção, e outras desfavoráveis a esse crescimento, com possível escassez de forragem.

Uma alternativa simples e econômica para minimizar a necessidade de fornecimento de alimento suplementar é a adoção de espécies forrageiras de inverno em área de pastagens tropicais, por sobreplantio ou sobressemeadura. Espécies como o azevém anual (Loluim multiflorum) ou a aveia (Avena spp.), por exemplo, possibilitam aumentos na produção de forragem no “inverno” resultando em melhor distribuição da produção ao longo do ano.

A técnica da sobressemeadura consiste em estabelecer uma cultura anual em uma área já ocupada por outra cultura perene, sem eliminar a cultura perene, aproveitando um período do ano em que ela está dormente ou pouco produtiva. A sobressemeadura de forrageiras de inverno pode ser feita em áreas ocupadas por qualquer capim de verão, desde que o manejo empregado seja adequado. A técnica tem sido mais bem-sucedida em áreas ocupadas por Cynodons (Tifton, Coastcross, etc.) e Panicums (notadamente os de porte baixo).

Para que a sobressemeadura seja bem-sucedida é preciso ter em mente a grande exigência em fertilidade de solo das espécies de inverno. Além disso, a exigência hídrica das forrageiras de inverno é alta e deve ser observado. O manejo correto é crucial para diminuir a competição no estabelecimento das forrageiras de inverno sobre as de verão no outono, ou no momento de retorno das espécies de verão sobre as de inverno, na primavera. Para diminuir a competição no outono deve-se proceder ao rebaixamento do pasto de verão, que está em final de estação de crescimento, permitindo a germinação da espécie semeada (de inverno) que irá ocupar a área.

Após o rebaixamento da espécie de verão (pelo menos tão drástico quanto um resíduo de pastejo normal) realiza-se a distribuição das sementes, que podem ser feita de forma manual ou mecanizada. Recomenda-se 70 Kg de sementes de aveia + 30 Kg de azevém por hectare, quando plantio em linha. E 100 Kg de sementes de aveia + 50 Kg de azevém por há, quando plantio a lanço.

Também importante é o pastejo ou corte inicial, que para a aveia deve ser feito com 30-40 cm de altura, ou antes de 15% dos perfilhos elevarem os meristemas apicais acima da altura de corte (isso ocorre normalmente 35 a 40 dias após a semeadura). Para o azevém, o primeiro pastejo deve ser feito quando as plantas atingirem 20 a 25 cm de altura, o que normalmente ocorre entre 45 e 55 dias após a semeadura. Observados esses fatores e implementando essa técnica simples pode-se diminuir os custos de produção, dessa forma aumentando a lucratividade do sistema produtivo.