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Secagem e Bem-Estar Animal

    A secagem é uma necessidade fisiológica da vaca leiteira, que se inicia com a interrupção das ordenhas e da produção de leite para preparar a glândula mamária para a lactação seguinte. Embora seja um processo bastante estudado, ainda existem poucos estudos sobre os efeitos da secagem sobre o bem-estar da vaca.

Os conceitos de bem-estar animal vão além das condições de saúde da vaca. Pesquisas sugerem que para garantir um estado de bem-estar é necessário ter três componentes em equilíbrio: as funções biológicas de cada animal, o comportamento afetivo que o animal expressa e a naturalidade com que esse comportamento é demonstrado. Nesse contexto, práticas de manejo com a secagem podem interferir nestes três componentes.

Com relação as funções biológicas do animal a involução da glândula mamária e os processos celulares envolvidos durante a secagem são conhecidos como apoptose, que é uma forma de morte celular programada. Este processo ocorre de forma gradual, a partir do pico de produção de leite, podendo estar relacionado à idade do animal, capacidade de produção de leite; ou ainda de forma abrupta, no momento da secagem. Além das pesquisas em nível celular, que indicam a necessidade de renovação celular da glândula mamária durante a secagem, a duração do período seco tem sido estudada, buscando-se otimizar a lactação seguinte. Finalmente, no quesito saúde da glândula mamária, a maioria das pesquisas enfoca o uso da secagem e período seco como estratégia de prevenção e tratamento das mastites causadas por patógenos contagiosos e ambientais.

Analisando o comportamento afetivo antes da adoção da terapia de vaca seca, o processo de secagem era feito pela redução da frequência de ordenha. No entanto, com o uso do tratamento de vaca seca, a maioria das vacas pode ser secada de forma abrupta, o que poderia afetar o comportamento social do animal. A secagem abrupta das vacas pode causar dor, seja pela alteração da rotina do animal, seja pelas alterações provocadas no tecido mamário.

Do ponto de vista do comportamento natural a diminuição da produção de leite antes do período de secagem é uma prática benéfica, pois reduz o desconforto e o risco de novos casos de mastite após a secagem. No entanto, com o progresso genético e o aumento médio da produção de leite por vaca, em alguns rebanhos, uma parcela considerável das vacas tem uma alta produção, mesmo no momento da secagem. Atualmente, uma vaca de alta produção está secando com uma produção correspondente ao que uma vaca de 1975 produzia no seu pico de produção.

Sendo assim, deve-se considerar que o aumento da produção média de leite associado com um processo de secagem abrupta aumentou os desafios para manter o conforto e bem-estar das vacas na secagem. No entanto, um dos principais problemas enfrentados é quantificar com medidas objetivas este estado de bem-estar, o que pode ser feito indiretamente pela avaliação da saúde da glândula mamária e pelas alterações de comportamento.