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Salmonella é a bactéria da vez

    Vários são os microrganismos que habitam o trato digestório das aves. A microbiota é um conjunto de bactérias, fungos e protozoários que se inter-relacionam constantemente com o hospedeiro (ave). Esses microrganismos representam elevada importância nos resultados da produção avícola e seu equilíbrio é fator chave para o sucesso, evitando assim a multiplicação desordenada de patógenos.

    Entre os microrganismos, a Salmonella sp. é nos dias atuais o assunto mais comentado na avicultura brasileira, e sem dúvidas também na região Oeste Catarinense. Isso porque essa bactéria, em seus diversos sorotipos, é o principal tópico em pauta nas mesas de negociação com os países importadores de carne de frango brasileira.

    Há diversos sorotipos de salmonela, cada qual possui características diferentes: alguns têm maior incidência, outros estão mais controlados, alguns são potencialmente mais contaminantes, dentre outras características. Recentemente, um sorotipo ganhou maior ênfase nas discussões técnicas: a Salmonella heidelberg, sendo o sorotipo com maior prevalência nas análises oficiais de controle realizadas no Brasil, sendo encontrada entre 20 a 33% do total de amostras positivas para Salmonella sp.

    Há uma grande preocupação das autoridades sanitárias à Salmonella sp., relacionando este patógeno a quadros de toxi-infecção em humanos. São aplicados rígidos programas de controle sanitário em países importadores de carne de frango. Medidas restritivas vêm sendo tomadas, visando bloquear produtos oriundos de países e empresas exportadoras que apresentam positividade para esta bactéria nos seus produtos.

    O sorotipo Salmonella heidelberg tem sido encontrado com maior ocorrência em frangos de corte. Vários fatores epidemiológicos favorecem esta maior prevalência, tais como, concentração e proximidade entre aviários, falhas de biossegurança e desinfecções, curto intervalo entre lotes, cama reutilizada muitas vezes e de má qualidade do ponto de vista microbiano, entre outros. A contaminação das aves com a bactéria ocorre principalmente por via digestiva e respiratória, sendo o de via respiratória de grande importância pois, o sistema respiratório demora mais para desenvolver imunidade local, ficando assim mais exposto que a via digestiva nos primeiros dias de vida das aves.

   O controle dessa bactéria deve ser criterioso, através de medidas onde o ambiente e o organismo da ave tornam-se menos favoráveis à perpetuação da Salmonela. Com relação ao ambiente, o foco deve estar ligado a medidas de biosseguridade, tais como, limpeza, desinfecção eficiente, controle de visitas, cercas nos arredores dos aviários, uso de arco de desinfecção, controle de cascudinhos e roedores, dentre outras medidas. Estas ações de biosseguridade que os produtores já conhecem são o ponto chave no controle.

   Por outro lado, para o organismo da ave é comum o uso combinado de ácidos orgânicos protegidos via ração e flora bacteriana benéfica. Essas medidas são muito eficientes quando utilizadas de forma correta e durante um período de médio e longo prazo.

   Todas as medidas não trazem resultados imediatos e, para controle desse patógeno, é necessário sempre pensar em médio e longo prazo, com um bom planejamento e engajamento de todos envolvidos no processo da cadeia avícola, desde o produtor rural até os gestores das empresas integradas, sendo assim, possível controlar esse problema e evitar prejuízos ainda maiores.