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Pastagens de inverno

    Em sistemas de produção animal baseados em pastagens, um dos maiores desafios para o ajuste da produção de alimento às necessidades do rebanho é a distribuição irregular da produção de forragem ao longo do ano. Esse fenômeno é conhecido como estacionalidade de produção. Tal fenômeno decorre das variações nas condições ambientais, como temperatura, pluviosidade (chuvas), e fotoperíodo (comprimento do dia ao longo dos meses do ano), gerando épocas propícias ao crescimento das forrageiras, em que pode haver excesso de produção, e outras desfavoráveis a esse crescimento, com possível escassez de forragem.

    Dessa forma, a transição entre o final do outono e o início do inverno exige certos cuidados que devem ser levados em consideração quando o assunto é o manejo das pastagens, em especial, a aveia e o azevém, que são bastante utilizadas para o pastoreio estratégico dos animais nesta época do ano. O manejo em cima dessas áreas é muito importante, pois como são plantas de alto valor nutricional, sendo manejadas de maneira correta, elas vão proporcionar uma maior produtividade para os animais, seja de leite ou carne. É essencial fazer uma boa adubação, sempre orientado pela assistência técnica, para garantir um bom perfilhamento e vigor produtivo das duas espécies, o que vai dar condição de aumento na capacidade de lotação animal em cima da área para o pastejo.

    Outro fator importante a se observar é o ponto de entrada dos animais para o pastoreio, deve ser quando a aveia estiver com 22 a 35 centímetros de altura no máximo, pois se a planta crescer demais o animal acaba comendo ponto de germinação. Esse é o ponto ideal. Por outro lado, se colocar o animal no pasto com a aveia muito nova a tendência é que haja um pisoteio muito grande na área e até o arranque de plantas, diminuindo o estande da área.

    Para obter um bom rendimento do pasto, seja no sistema contínuo ou em piquetes o produtor deve sempre observar a altura da pastagem para retirar o gado, antes que ele coma mais do que deve, mantendo o índice de área foliar ideal para fazer fotossíntese. Se a pastagem for de sistema contínuo pode-se manter o gado com 18 a 22 centímetros de pastagem, mas se for piqueteado o ideal é entrar com 22 centímetros e sair com 11 centímetros, lembrando que são importantes as avaliações de altura.

    Outra alternativa, simples e econômica para minimizar a necessidade de fornecimento de alimento suplementar é a adoção de espécies forrageiras de inverno em área de pastagens tropicais, por sobreplantio ou sobressemeadura. Espécies como o azevém anual (Lolium multiflorum) ou a aveia (Avena spp.), por exemplo, possibilitam aumentos na produção de forragem no “inverno” resultando em melhor distribuição da produção ao longo do ano. Com isso, é possível prolongar a estação de pastejo no outono, e permitir que os animais tenham acesso a uma forragem de alto valor nutritivo em parte do ano. Já que, caracteristicamente, as forrageiras de inverno apresentam altos teores de proteína bruta e alta digestibilidade durante esse período crítico.

    Sobressemear é estabelecer uma cultura anual em uma área já ocupada por outra cultura perene, sem eliminar a cultura perene, aproveitando um período do ano em que ela está dormente ou pouco produtiva. No Brasil, com grande diversidade de condições ambientais, a sobressemeadura de espécies de inverno sobre áreas de gramíneas tropicais só é viável nas regiões Sul, Sudeste e parte da região Centro-Oeste.