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Paralisação de Caminhoneiros

   O Brasil está em protesto. Esse é o cenário do país desde 18 de fevereiro, dia em que estourou uma das maiores greves de caminhoneiros de que se tem notícia. A paralisação se concentra, principalmente, nos Estados do Sul e Centro-Oeste, com bloqueio de rodovias federais e estaduais.

   Os motivos principais seriam a redução do valor do frete, além do aumento do preço do óleo diesel, fatores cruciais e que determinam a funcionalidade da categoria. Também são reivindicadas a redução dos valores de pedágio e a prorrogação nas parcelas para financiamento de caminhões. A categoria ainda pede alteração na Lei dos Caminhoneiros e a mudança na jornada de trabalho diário.

   Entre os segmentos mais afetados estão as atividades agropecuárias. Os reflexos da greve dos caminhoneiros começa a desenhar um cenário apocalíptico no campo e na cidade. No campo, animais passando fome, leite azedando em laticínios, jogado fora nas propriedades e agricultores se descapitalizando a cada dia. Na cidade, a paralisação dos caminhoneiros provoca falta de combustível, falta de produtos nos supermercados, pães industrializados, frutas, verduras, tomate e leite de saquinho (in natura) foram os primeiros itens que desapareceram das prateleiras de supermercados, pelo fato de esses itens serem perecíveis e de giro rápido. Enfim, um efeito dominó, que atinge os mais variados setores.

   O setor leiteiro que já vinha passando pela crise após a operação “Leite Adulterado” que notificou e fechou cooperativas e indústrias de leite nos Estados, enfrenta a queda de preço do produto nos mercados e a redução da procura do produto pelo consumidor, agora sofre com a paralisação dos caminhoneiros que impedem a coleta do leite nos municípios e a distribuição do leite já industrializado. Em SC, o setor calcula prejuízo de, no mínimo, R$ 10 milhões por dia sem produção.

   O setor de aves também contabiliza prejuízos. O movimento vem comprometendo a produção e comercialização tanto do frango vivo como da carne. Os bloqueios nas rodovias impedem a chegada de insumos (especialmente a ração) nas granjas, aumentando a mortalidade dos animais alojados e reduzindo a produtividade dos que sobrevivem. Além disso, segundo colaboradores do CEPEA, a paralisação prejudica a distribuição de carne. Nesse cenário de incertezas, as cotações no atacado apresentam movimentos díspares entre as regiões analisadas pelo CEPEA; para o vivo, ainda predominam altas de preços. As expectativas em relação ao mercado externo também já não são tão boas, por conta da dificuldade de escoamento da produção até os portos.

   O setor de suínos também vem sofrendo. Em SC e PR as gigantes do setor alimentício BRF e Aurora interromperam a produção nos setores de aves e suínos em 17 cidades. A paralisação representa cerca de 15% do abate do grupo BRF e a totalidade das fábricas da Aurora. As empresas não conseguem enviar as cargas para os portos, receber animais para o abate e demais matérias-primas, como ração e embalagens.

  Diante disso tudo, reconheço a legitimidade do movimento de paralisação dos caminhoneiros, sendo a luta e o processo de reinvindicação, direitos de todos os setores, contribuindo em muitas vezes para a conquista de resultados almejados. Porém, fica a preocupação com agricultores que estão perdendo suas produções e tendo prejuízos incalculáveis. O segredo para obter êxito e sucesso em qualquer movimento e/ou mobilização é agir com organização, pauta definida, comando político e estratégia de negociação, garantindo assim a conquista dos direitos desejados.