Pinhalzinho

32º

21º

Maravilha

31º

21º

São Miguel do Oeste

31º

21º

Chapecó

31º

19º

Os reflexos da crise do leite adulterado

   É natural em situações de crises de determinado setor ou produto, que espertalhões se aproveitem da oportunidade para generalizar o assunto e lograr vantagens em cima do problema. Todos nós sabemos que adulterar qualquer produto alimentício provoca reações imediatas, com consequências na mídia, na sociedade e nas pessoas que trabalham o produto em questão.

   No caso do leite, produto altamente consumido por todas as classes sociais e de todas as idades, além dos riscos e prejuízos com a saúde pública, tem repercussão na zona de produção. A atitude de um reduzido número de aproveitadores, que pode ser desde o mau produtor, ao imediatista transportador, ao irresponsável e ganancioso empresário, tem provocado uma reação negativa a toda uma cadeia produtiva, generalizando uma situação em fatos isolados e que proporcionalmente representam pouco no contexto global.

   A punição aos infratores deve ser exemplar, mas não se pode abrir oportunidades para que outros interesses se aproveitem da situação. Anunciar na imprensa que a redução de consumo do leite caiu em 70 por cento após os episódios de adulteração detectados em SC e RS, foi uma dose de exagero de quem divulgou essa informação. Pode ter sido esse índice naquelas empresas e produtores envolvidos no problema, porém, está longe da realidade do contexto geral. O sensacionalismo do problema sim pode afetar cada vez mais o setor.

   De outra parte é lamentável que entidades que se intitularam de “novo cooperativismo”, também se aproveitem da situação para explorar os agricultores produtores de leite. Documentos fiscais recolhidos provam que tem entidade no alto Uruguai, noroeste gaúcho, pagando preços irrisórios aos produtores de leite, sob o argumento de que o preço caiu no mercado devido às fraudes ocorridas. Infelizmente, também nessa área existem os espertalhões que pregam o moralismo, se apropriam do nome “cooperativa” comprometendo a credibilidade de outras entidades tradicionais, transparentes e legalmente estabelecidas, para lograr vantagens e não distribuir os benefícios que o sistema preconiza e que cabe aos associados.

   Com relação aos preços pagos aos produtores, devido aos estoques altos nos laticínios desde o final do ano passado e retração na demanda devido, principalmente, às férias escolares, os preços do leite recuaram novamente. Em janeiro, a “média Brasil” líquida (não inclui frete nem impostos) foi de R$ 0,8446/litro, redução de 5,8% ou de 5,2 centavos de Real por litro na comparação com dezembro/14 e de 10,8% em relação a janeiro/14, em termos reais (deflacionados pelo IPCA de dez/14). A queda nos preços não surpreendeu agentes do setor. Muitos estavam atentos aos elevados estoques de leite que, segundo representantes da indústria, começam a diminuir, inclusive porque alguns laticínios adotaram a estratégia de “desacelerar” a captação.

   É de suma importância que os agricultores fiquem atentos aos milagreiros que dizem serem os salvadores da pátria, e ao mesmo tempo os aventureiros que aparecem para adquirir a produção agropecuária em épocas de crises, sob o falso manto do cooperativismo e que na realidade são aproveitadores desse sistema milenar e que já provou que é eficiente, por ser democrático e transparente. Analisar com cuidado as acusações generalizadas, e desconfiar de promessas fáceis, deve ser a maior preocupação dos produtores rurais.