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O desafio da produção leiteira

    A produção de leite no Brasil é uma das cadeias produtivas que tem os maiores ganhos marginais a incorporar em todos os seus elos da produção nos próximos anos. Trata-se de um setor que evoluiu menos em termos de profissionalização e organização do que outras cadeias produtivas, como a produção de frangos de corte e suínos, que hoje já são competitivos em nível de mercado global. Temos aqui uma boa má notícia: a cadeia produtiva do leite está atrasada, sim, mas tem um enorme potencial para melhorar, se resolver os problemas que o setor enfrenta atualmente. Felizmente são problemas que têm solução, alguns no curto prazo, outros no médio e outros ainda necessitarão de um prazo longo para serem solucionados.

    Pesquisadores do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP afirmam que os altos patamares de preços alcançados em 2013 elevaram os investimentos na atividade leiteira, que resultaram em maior produção neste ano e acúmulo de estoques, principalmente no segundo semestre. Com a oferta elevada, as cotações recuaram no último quadrimestre do ano, após três meses de relativa estabilidade.

    Atualmente o preço pago ao produtor segue em baixa. No comparativo com dezembro de 2013, por exemplo, a queda é de 10%, em termos reais. A pressão continua vindo do aumento na captação de leite em todos os estados acompanhados pelo Cepea e pela perda de imagem perante os consumidores, influenciado pelos crimes de adulteração.

    Em dezembro, o preço médio bruto (inclui frete e impostos) pago ao produtor, na “média Brasil” (MG, RS, SP, PR, GO, BA e SC), foi de R$ 0,98/litro, forte redução de 4,3% em relação a novembro. O preço líquido médio (sem frete e impostos) caiu 4,6%, passando para R$ 0,89/litro. Entre os estados que compõem a “Média Brasil”, Santa Catarina teve o menor valor em dezembro, seguido pelo Rio Grande do Sul.

   Em SC, para o leite-padrão, o preço de referência é R$ 0,78 o litro; para o leite de qualidade acima do padrão R$ 0,90 e para o leite abaixo do padrão, R$ 0,71. Esses valores referem-se ao litro posto na propriedade com Funrural incluso. Santa Catarina é o quinto produtor nacional, o Estado produz 2,7 bilhões de litros/ano. Praticamente, todos os estabelecimentos agropecuários produzem leite, o que gera renda mensal às famílias rurais e contribui para o controle do êxodo rural. O oeste catarinense responde por 73,8% da produção.

   Por fim, para pensarmos. “O segredo da dieta é não precisar de dieta”. O dia que mudamos nosso hábito alimentar e passamos a comer demais ou a ingerir muita energia, definimos um novo padrão para nosso organismo e ele não aceitará voltar atrás. Façamos a dieta que for, até mesmo cirurgia, ele estará codificado a ingerir o novo padrão. Aquele é o novo normal dele para sempre. Com a renda do leite é a mesma coisa. Se ao invés de pouparmos uma parte importante do dinheiro extra que surge nos períodos de bonança (ciclos de alta) o incorporarmos ao nosso padrão de vida ou aos custos de produção, quando o preço do leite cair (e bote na sua cabeça que ele cai) não será mais possível viver e produzir como antes. É tarde demais.

   O segredo é encarar dinheiro extra como silagem: guarde-o, pois é absolutamente certo que irá precisar. Pelo ciclo, tipicamente dentro de um ano e meio após o período de bonança.