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Influência do nitrogênio na qualidade do trigo

Em época de início de safra da cultura do trigo, com expectativa positiva para a safra deste ano devido aos preços praticados na comercialização do último período e também ao nível de capitalização dos agricultores em função dos bons preços praticados para os grãos de verão, principalmente para a soja, serão esses os temas da coluna dessa semana. A estimativa também é de uma boa produtividade para esse ano, podendo chegar a 2.600 quilos por hectare na média nacional, com aumento na área cultivada de 14,2%, podendo chegar a 2,5 milhões de hectares.

A aplicação de nitrogênio nas lavouras de trigo vem aumentando, seja em função da capitalização do produtor ou da divulgação de supostos ganhos com o maior investimento em fertilizantes. O nitrogênio (N) é o nutriente absorvido em maiores quantidades pelas plantas, atuando na fotossíntese e na formação de proteínas nos grãos.

No trigo, o N tem estreita relação com o potencial produtivo, ou seja, está comprovado pela pesquisa que o investimento em adubação nitrogenada pode resultar em maior rendimento de grãos. Na recomendação do Manual de Adubação e de Calagem do RS e SC o indicado é dividir a adubação nitrogenada em duas partes: 15 a 20 kg de N/ha (Kg de N por hectare) na linha de semeadura; e o restante em cobertura no afilhamento/alongamento. Mas, para saber o quanto deve ser aplicado na lavoura é preciso fazer análise de solo, avaliando a cultura antecessora e a expectativa de rendimento que está se buscando. Estudos indicam que o limite econômico para N em trigo está entre 80 e 100 kg de N/ha, quando, geralmente, a adubação já não impacta mais no rendimento de grãos de forma a assegurar o investimento.

Pensando na relação entre qualidade e aplicação de N, ainda há muita divergência entre os obtentores (empresas que desenvolvem as cultivares). Evidências em experimentos da pesquisa sugerem que ao se colocar N ao solo na forma de fertilizante, em qualquer estádio da planta, a força de glúten (W) aumenta levemente, em razão de pequeno aumento do teor de proteínas no grão. Uma prática que vem sendo utilizada é a realização de uma terceira dose de N no espigamento do trigo, objetivando aumentar o teor de proteínas dos grãos. Existem muitas divergências em relação a esse fracionamento em 3 doses, sendo que a aplicação tardia de N em cobertura, após a fase de emborrachamento, geralmente não afeta o rendimento de grãos, mas pode aumentar o teor de proteína no grão, sem que, necessariamente em todas as situações, o valor de W (força de glúten) seja alterado a tal ponto de modificar a classificação comercial do produto colhido.

Mais importante do que a dose de N são as condições ambientais no momento da aplicação, como temperatura e disponibilidade de umidade no solo, entre outras. Não há insumo ou cultivar mágica. É fundamental identificar o melhor manejo para cada condição de cultivo e sabe-se que cada região e cada cultivar pode se comportar de forma diferente, ou seja, algumas são mais responsivas ao uso intensivo de fertilizantes do que outras, sem que necessariamente afete em sua qualidade final.