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Indústria a céu aberto

   O Brasil é um país fortemente vinculado ao setor agropecuário - cerca de 35% do Produto Interno Bruto (PIB) e 42% das exportações são gerados no segmento. Mas, a apreensão, por vezes o desânimo e o sentimento de incapacidade são retratos de muitos daqueles que vivem no campo.

   As atividades agropecuárias são extremamente dependentes dos fenômenos climáticos e estes devem ser condizentes com a necessidade de plantas e animais, de modo a proporcionar resultados positivos nas explorações agropecuárias. E isso tem sido assim desde os primórdios da civilização, quando o homem deixou de lado a vida nômade para fixar residência e criar raízes.

   Quem trabalha como assalariado nem sempre tem seu trabalho reconhecido e valorizado como gostaria, mas não arrisca tudo o que construiu ao longo da vida por um simples revés climático. Agropecuaristas possuem enormes desafios e as forças da natureza talvez sejam as principais, e essas forças nem sempre estão em harmonia com suas necessidades. Portanto, produzir alimentos não é tarefa fácil, é uma produção a céu aberto, sujeito a todas adversidades possíveis.

   Em partes essa situação pode ser evitada, com acesso a informação, crédito, seguro agrícola, assistência técnica permanente, mas de outro não há como prever grandes problemas climáticos e estes são cíclicos e sempre poderão afetar os resultados das atividades agropecuárias.

   Essa insegurança faz com que muitas pessoas abandonam o campo e deixam de produzir alimentos, logo, menos produtores produzirão alimentos para um número crescente de consumidores. No Brasil, a partir da década de 1960 a população urbana superou a rural e atualmente mais de 80% dos brasileiros vivem nas cidades.

   Esse cenário, aliado aos cada vez mais frequentes eventos climáticos extremos exigem políticas públicas que assegurem a produção agropecuária, como seguro efetivo de safras e uma garantia de preços condizentes as suas produções. Além disso, exigem o reconhecimento por parte da população urbana ao esforço daqueles produtores de alimentos, deixando de lado o preconceito existente e passe a existir sua valorização.

   Atualmente, o processo produtivo rural, seja agrícola ou pecuário, se constitui em uma “indústria a céu aberto” produzindo matérias-primas e produtos para consumo direto de elevado valor agregado, muito mais sofisticados do que muitos segmentos industriais urbanos, agregando valor e multiplicando várias vezes o volume produzido. Por exemplo transforma 20 quilos de semente de milho em cerca de 12 toneladas de grãos, ou 60 quilos de semente de soja em 3 toneladas da oleaginosa. Também no setor agropecuário temos a transformação de um pintinho em um frango de 3 quilo vivo em apenas 45 dias. Mais espetacular ainda é a transformação de pastagem em proteína animal, leite e carne, de elevado valor agregado e fundamental na alimentação humana.

   Transformações, políticas públicas e mais segurança são fatores e pontos de luta e debates entre agropecuaristas e seus representantes e dessa forma buscar que nós trabalhadores rurais brasileiros tenhamos condições mais dignas de trabalho, renda e de vida são os grandes sonhos desse colunista que vos escreve.