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Em busca da eficiência

    A sequência de quedas nas cotações de algumas commodities (principalmente soja, milho) verificada nas últimas semanas parece ser o início de um ciclo de baixa rentabilidade na agricultura brasileira. Essas quedas, sobretudo, em função da supersafra norte-americana.

    O aumento da produtividade agrícola no Brasil tem se mantido acima dos outros países do mundo. A média brasileira deste índice nos últimos anos ficou em 3,6%, número que, quando comparado com os 2,6% da América Latina e os 0,86% dos países desenvolvidos, torna-se bastante significativo. Os principais fatores que provocaram esse crescimento foram a pesquisa agropecuária, o aumento das exportações e a ampliação do crédito rural. Nestes aspectos houve grandes avanços, mas deve-se avançar agora em questões de logística, seja em armazenamento ou transporte.

    Ainda, deve-se analisar o componente preço, sendo um importante componente no ciclo de investimentos, tanto para aumento da rentabilidade, como para incremento do padrão tecnológico das lavouras brasileiras. O desafio é continuar crescendo num ambiente de custos de produção inflacionados e de preços de mercado em baixa.

    Além dos fatores citados anteriormente para o crescimento da agropecuária nacional, pode-se citar ainda o uso do plantio direto, rotação de culturas, agricultura de precisão, manejo integrado de pragas, uso de defensivos agrícolas e novos pacotes tecnológicos. Porém, é necessário destacar que o Brasil é o país líder no uso de defensivos agrícolas, gerando inúmeras preocupações. Esse grande uso se justifica em partes pelas características de ser a maior agricultura tropical do mundo. Sol e chuva são insumos excelentes para o desempenho das lavouras, embora também sejam para o desenvolvimento de pragas e doenças. Na Europa e EUA, graças ao inverno rigoroso que antecede os cultivos de verão, as pragas e doenças exercem pressão muito menor. O custo médio dos defensivos no país chega a R$ 26,50/kg o que, em conjunto com a necessidade de altas doses de fertilizantes, encarece o sistema produtivo brasileiro.

    A oscilação dos preços já é velha conhecida e os produtores já demonstram certa habilidade para driblar essas situações. Ao intensificar o pacote tecnológico em busca de produtividade crescentes, os desafios se tornam ainda maiores num cenário de preços baixos, especialmente se esses durarem por dois ou mais ciclos de safras. Importante observar a relação custo/benefício, onde o benefício somente se justifica se o retorno foi garantindo, empregando lucratividade ao sistema.

    Escolher e adequar estrategicamente o nível de investimento sem perder o foco numa boa performance de resultados é o caminho a seguir. No atual cenário, a margem de manobra é baixa, pois preços dos insumos em alta e de comercialização em ligeira queda.

    Neste momento, fica claro que o produtor precisa ser eclético, multidisciplinar, ser um bom gestor da propriedade, além de possuir um bom acompanhamento técnico, reduzindo custos sem diminuir padrão tecnológico, buscando eficiência no sistema produtivo, mantendo-se assim competitivo e assegurando a necessidade de manter a lucratividade, fator esse almejado por todos.

Fonte: Revista AgroDBO