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Desperdício de Alimentos

As perdas de alimentos no Brasil na lavoura, transporte, armazenagem e comercialização vêm sendo combatidas nos últimos anos por agricultores, associações, entidades, empresas e governos. Apesar dos avanços, segundo estimativas de 2015 da FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura), 30% dos alimentos produzidos na América Latina ainda se perdem antes de chegar ao consumidor final.

A pesquisa recém-saída do forno, realizado por Gustavo Porpino, analista da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), no entanto, aborda um aspecto pouco estudado: o desperdício de alimentos na ponta final da cadeia, ou seja, na casa das famílias brasileiras.

Porpino pesquisou, para sua tese de doutorado, o comportamento dos consumidores das famílias da classe média baixa, que representam a maior fatia da população brasileira, em contraponto à ideia de que apenas os abastados esbanjam à mesa. Descobriu que, embora com poucos recursos, as famílias desperdiçam muito alimento todos os dias. Ou seja, jogam dinheiro no lixo.

Estimativas do Instituto Akatu, que há 15 anos trabalha com ações de incentivo ao consumo consciente, indicam que, em média, o brasileiro desperdiça 205 gramas de alimento por dia e cada família (de 3,3 integrantes, segundo o padrão do IBGE) manda para o lixo todo mês R$ 171 em alimentos. Enquanto isso, a Escala Brasileira de Insegurança Alimentar do IBGE aponta que cerca de 22,6% das famílias ainda são subalimentadas no Brasil, sendo que 3,2% dos domicílios enfrentam situação de fome (eram 7% em 2004).

As fases mais críticas do desperdício, segundo a pesquisa da Embrapa, ocorrem antes do preparo do alimento e no armazenamento pós-preparo. Na hora do preparo, a dona de casa tende a exagerar, aliando dois hábitos brasileiros: fartura e hospitalidade. “Sempre pode chegar alguém” e “melhor sobrar do que faltar” são frases que Porpino ouviu aos montes. Depois, vem o principal problema identificado pelo analista: o preconceito contra as sobras. “As famílias não acham legal aproveitar as sobras. Muitas mulheres me disseram que o marido não gosta do que chamam de ‘comida dormida’ e que o arroz tem de ser sempre fresquinho”, diz Porpino.

E o descarte não é só lixo; alguns destinam as sobras para os cachorros e gatos, mesmo que sejam os dos vizinhos ou da rua. E quem guarda o que sobrou, na maioria das vezes, usa recipientes inadequados e faz o que o analista chama de “procrastinação das sobras”. Ou seja, a comida é “esquecida” alguns dias na geladeira, geralmente em potes de margarina até sem tampa, para reduzir o sentimento de culpa. Mas, depois, o destino é mesmo o lixo.

Várias ações podem mudar o mapa das perdas de alimento no início da cadeia produtiva e o desperdício no final. Mas, a mais importante é conscientizar a população sobre o valor dos alimentos e da alimentação saudável.