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Desafios Nutricionais do estresse térmico em vacas leiteiras

       O verão e a época das águas ou chuvas trazem muitas vantagens para o sistema de produção de leite, principalmente no que diz respeito à produção de alimentos para os animais. No entanto, este período também nos apresenta um grande problema relacionado a altas temperaturas e umidades relativas que colocam as vacas fora da zona de conforto térmico.

       O estresse térmico traz inúmeros prejuízos econômicos para o sistema, sendo a queda na produção de leite o de maior impacto, mas também problemas de reprodução, sanidade e piora na qualidade do leite. A redução da produção de leite é geralmente atribuída à queda na ingestão de matéria seca (IMS), mas outras alterações no metabolismo do animal também têm papel fundamental no impacto global do estresse térmico. Com a redução da IMS durante estresse térmico, as vacas entram em balanço energético negativo (BEN), ou seja, a quantidade de energia utilizada para mantença e produção de leite é maior do que a quantidade de energia consumida na dieta. Outra situação bastante comum em que as vacas entram em BEN é no início da lactação, quando a produção de leite aumenta mais rapidamente do que a IMS.

       Para evitar os impactos negativos do estresse térmico a climatização das instalações é a principal estratégia de manejo visando melhorar o conforto animal, incluindo áreas de sombra em sistemas de pastejo e aspersores e ventiladores em estábulos. Além do manejo das instalações, estratégias nutricionais têm potencial de auxiliar na melhoria do conforto térmico do animal e/ou minimizar a queda no consumo de nutrientes. Isso porque quando os alimentos são digeridos e os nutrientes metabolizados existe uma produção de calor decorrente desses processos, chamada de incremento calórico. O incremento calórico varia de acordo com o ingrediente da dieta, devido em grande parte aos produtos finais da digestão e à eficiência de uso dos nutrientes. É possível escolher ingredientes que aumentem a densidade energética da dieta (por exemplo, menor proporção volumoso:concentrado, maior participação de gordura) e que proporcionem menor incremento calórico.

       Uma alternativa de estratégia nutricional é aumentar o teor de gordura da dieta, que tem sido uma das estratégias mais difundidas para reduzir o estresse térmico durante o verão. Em teoria, substituir fibra por gordura faz todo sentido, uma vez que o incremento calórico de gordura é mais do que 50% menor do que o da maioria das forragens, a suplementação com gordura tem o benefício de aumentar a densidade energética da dieta, reduzindo o impacto nutricional da queda na IMS.

       Além dos já conhecidos impactos do estresse térmico na produção e composição do leite, na sanidade e na reprodução, estudos mais recentes vêm mostrando que estresse térmico imposto sobre vacas no final da gestação (período seco) compromete o crescimento do feto e o sistema imunológico do bezerro do nascimento até o desmame. Dessa forma, estresse térmico é um problema muito sério com impactos negativos de curto e longo prazo no sistema de produção de leite e que merece investimento de recursos para monitoramento, prevenção e remediação das consequências.