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Desafios e perspectivas da atividade leiteira

    O modelo de produção diversificada da agricultura familiar na região oeste catarinense, sendo caracterizada por uma forte indústria agroalimentar, sustentada pela integração (aves e suínos) e pela posição expressiva na produção leiteira nacional vem merecendo maiores discussões quanto ao futuro.

   Nesse contexto, duas estratégias são apontadas. De um lado uma estratégia “desenvolvimentista”, propondo a inclusão de uma ampla maioria de agricultores, buscando prover sistemas sustentáveis, apoiados em pequenas cooperativas locais, diversificados e de acordo com a realidade das unidades produtivas. De outro, uma estratégia “produtivista”, com concentração e especialização na produção, excluindo muitos produtores, verticalizados e extremamente dependente de insumos externos, gerando instabilidades e altos custos de produção e fortemente dependente das condições de mercado.

   Pelo conhecimento das condições locais as duas estratégias se mostram presentes nos produtores de leite da região, porém a desenvolvimentista perdendo espaço e sendo ocupada progressivamente pela produtivista, tendendo ao mesmo caminho da agricultura brasileira nos anos 1960. Essa “evolução”, pode ser justificada pela existência de alguns desafios que tangem a atividade leiteira na região e os principais são descritos e analisados abaixo.

   1 – Mão de obra. Esse fator produtivo gera preocupações, podendo ser um limitador de inúmeras atividades ou um promotor de mudanças, pois exige uma reorganização dos sistemas produtivos. Essa limitação pode estar associada a intensificação e demanda do fator trabalho pelas indústrias locais e também pelo menos tamanho das famílias do meio rural.

   2 – Sucessão familiar. Paralelo ao efeito da restrição de mão de obra esse fator constitui um desafio à agricultura familiar e a estratégia de produção adotada. Esse desafio pode ser superado na medida que ocorra principalmente a valorização da figura do agricultor familiar, a maior geração de renda nas propriedades e o comum acordo entre pais e filhos quanto ao tema.

   3 – Limite de área produtiva. Uma das características da atividade leiteira vinculadas à agricultores familiares é o processo de aproveitamento de terras não nobres. Porém, esse também começa a ser um desafio, visto que a tecnificação, modernização e a migração para a estratégia produtivista, exigem áreas em melhores condições. Inicialmente, existe a exigência de ampliação de áreas pelo aumento no número de animais nas propriedades, onde a área utilizada não comporta os mesmos. E também, com o uso crescente de máquinas e implementos as áreas devem ser cada vez mais mecanizáveis.

   4 – Questão ambiental. Frente as exigências crescentes em questões ambientais esse também pode ser considerado um desafio relevante e deve ser levado em consideração.

   Apesar disso, a atividade leiteira apresenta boas perspectivas aos produtores. Sem dúvida, o leite manterá seu espaço na produção regional, mas os desafios e as estratégias adotadas nortearão o futuro dessa atividade. A busca pela produção que vise e atenda ao desenvolvimento sustentável deve ser priorizada, sendo adotada por instituições e organizações como meta de desempenho para a atividade, beneficiando dessa forma a todos os elos envolvidos.