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Conquista na Fronteira – uma história de luta e conquistas

Com essa frase escrita entre a bandeira do Brasil e do MST, na sede da comunidade, inicio a coluna dessa semana. Na última semana tive a grata oportunidade de participar e coordenar um importante intercâmbio, juntamente com outros 30 jovens, que participam do curso Juventude Semeando Terra Solidária. Para tanto nessa edição trago até vocês leitores um pouco mais da experiência e apresento a história, a organização e a forma de relação existente no local. No extremo oeste-catarinense, precisamente no município de Dionísio Cerqueira, praticamente divisa com Argentina, uma experiência incrível, o assentamento do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), denominado “Conquista na Fronteira”.

 

A trajetória histórica do assentamento está diretamente relacionada às ocupações, como forma de acesso a terra, dentro dos processos de luta pela terra, que aconteceram no estado de Santa Catarina, a partir de 1980. Em 25 de maio de 1985, mais de 1700 famílias vindas de Chapecó, Caxambu do Sul, Quilombo, Palmitos, Anchieta e Xanxerê formaram duas grandes ocupações em São Miguel do Oeste e Aberlado Luz. Mais tarde, o MST descobriu que no município de Dionísio Cerqueira, havia uma área de terra pertencente a um grande latifundiário que estava hipotecada e permitindo então sua desapropriação. Em 24 de junho de 1988, a área foi transformada em assentamento, no qual foram assentadas 60 famílias buscando uma vida mais digna. Hoje vivem no assentamento 47 famílias, cada uma delas tem sua casa, mas a terra é produzida de forma coletiva, e a comunidade se organiza em comissões nas mais variadas áreas, estas comissões formam um conselho social e político que é quem toca a vida cotidiana.

 

O processo de crescimento do trabalho do grupo deste assentamento teve três momentos bem demarcados. O primeiro deles foi o de impulsionar a agricultura de subsistência, a coisa mais importante era garantir alimento de qualidade a toda comunidade. Depois, com esse trabalho já consolidado, foi a hora de comercializar o excedente. Mais na frente veio a necessidade de industrializar a produção. E é isso que a comunidade faz através da cooperativa Cooper União.  Organizando toda esta linhas de produção existem cinco equipes que fazem um planejamento anual para tornar visível a todos os projetos e as metas.

 

É evidente o bem estar e a qualidade de vida de todos no assentamento, o sorriso no rosto, o simples cumprimento de todos, tudo numa lógica diferente do que julgamos ser nossa sociedade “moderna”, uma experiência incrível que nos faz repensar sobre nossas formas de organização e sobre aquilo que julgamos ser o mais importante para nós, que muitas vezes acaba sendo o capital.  Uma experiência que reafirma ser possível novas formas de produção e principalmente novas formas de relação entre as pessoas, onde não só o lucro seja o objetivo principal, mas que a valorização e defesa de uma vida mais humana, justa e fraterna para todos seja a razão de nossa existência. Novas relações são possíveis, necessárias, diria no mínimo urgentes!

Abraços e até a próxima edição!!!