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2015 - Ano Internacional dos Solos

   Eleito como tema do ano de 2015, pela Organização das Nações Unidas (ONU), o solo é um dos materiais biológicos mais complexos do planeta. Pode levar até 300 anos para formar um centímetro de solo superficial e apenas um punhado dele pode conter bilhões de microrganismos. A nomeação de 2015 como Ano Internacional dos Solos (AIS) é uma tentativa da ONU de chamar atenção para a riqueza e a fragilidade do recurso, além de mobilizar a população para a importância de preservar e de recuperar os solos, devido ao desmatamento ou ao uso agrícola inadequado.

   A América Latina e o Caribe têm as maiores reservas de terras cultiváveis do mundo, por isso o cuidado e a preservação dos solos são fundamentais para que a região alcance sua meta de erradicar a fome. Segundo o Diretor Geral da FAO, José Graziano da Silva, os solos são de enorme importância para a produção mundial de alimentos, mas não prestamos suficiente atenção neste “aliado silencioso”. A FAO é a responsável pela implementação do AIS 2015 no âmbito da Aliança Mundial pelo Solo.

   O recurso natural solo é crucial para a vida na terra, com grande influência sobre o meio ambiente, sobre as economias locais, regionais e mundiais. Dentre as suas diversas funções, o solo proporciona, direta ou indiretamente, mais de 95% da produção mundial de alimentos. No entanto, essa fina e frágil camada que recobre a superfície da terra e leva milhões de anos para ser formado, pode ser perdida e degradada pela erosão em poucos anos de uso, tornando-se improdutiva ou reduzindo, por exemplo, a sua capacidade de produzir alimentos, pastagens, fibras e combustíveis para uma população mundial cada vez maior.

   Apesar de sua grande importância, a saúde dos solos enfrenta constantes e crescentes desafios. 33% das terras do planeta estão degradadas, seja por razões físicas, químicas ou biológicas, o que é evidenciado em uma redução da cobertura vegetal, na diminuição da fertilidade, na contaminação do solo e da água e, devido a isso, no empobrecimento das colheitas.

   Da degradação mundial, 14% ocorrem na América Latina e no Caribe. Esta situação é ainda mais grave na Mesoamérica, onde 26% das terras são afetadas. Já na América do Sul, afeta 14% das terras. A degradação dos solos tem um impacto negativo em muitas de suas funções como na produção de alimentos e na prestação de serviços ecossistêmicos e suas principais causas incluem a erosão hídrica, a aplicação intensa de agrotóxicos e o desmatamento. A degradação também está associada com a pobreza: 40% das terras mais degradadas do mundo estão em zonas com altos índices de pobreza.

   A produção agrícola no Brasil crescerá mais rápido que de qualquer outro país do mundo na próxima década. A importância atual e prognóstica da agricultura brasileira está associada ao uso intensivo do solo em sistemas de produção que fazem uso de monoculturas cultivadas em grandes extensões de terra e que dependem do uso intenso de mecanização, água, insumos agrícolas e do transporte por longas distâncias. Esse cenário projeta o aumento da pressão sobre todos os recursos naturais, incluindo o solo, requerendo ações planejadas da sociedade científica brasileira para prover a conscientização da sociedade e de autoridades para melhor compreender o sistema solo, seu comportamento, potencialidades, limitações e produtividade esperada frente às mudanças climáticas globais e a atual expansão da fronteira agrícola para áreas de solos frágeis e/ou pouco conhecidos no país, com vistas à adequada gestão territorial, evitando ou mantendo, dentro de limites sustentáveis, os processos de degradação do solo e ambiental.