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Interesse pela leitura desde criança

A Sua Voz - Gisele Petry

24/08/2016

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Durante entrevista Álvaro mostrou um de seus livros e contou histórias (Foto: Gisele Petry)

O gosto pela leitura acompanha Álvaro Götz, 72 anos, desde sua infância. Gaúcho de nascimento, se mudou com os pais Afonso e Natalia para a comunidade da Linha Navegantes, interior de Pinhalzinho, quando tinha pouco mais de quatro anos.


Filho único, estudou apenas até a 4ª série do Ensino Fundamental. Álvaro lembra com carinho da época na qual frequentava a escola. "Na escola eu era pontual. Simplesmente eu tinha interesse e quando o professor mandava fazer algum tema eu já fazia na escola. Um dia aconteceu de o professor mandar fazer os temas em casa sobre a história do Brasil. Eu tinha que escrever um texto e fiz lá na sala, num caderno, mais do que duas folhas. Em casa a mãe me xingou e pediu se eu estava de castigo que tinha que ficar lá escrevendo. Aí eu disse que não, que escrevia porque queria e porque eu sabia", conta.


Ele completa que o professor não achou que teria sido o próprio aluno quem tivesse escrito aquele texto. "O professor achou que eu tivesse copiado, mas eu disse que não. Ele passou pelos colegas e pediu para escrevermos um novo texto, agora sobre geografia. Eu peguei o caderno e lápis e comecei a escrever. Depois de um tempo ele parou atrás de mim e disse: não adianta teimar contigo, tu realmente sabes das coisas", descreve.


Álvaro serviu no exército na década de 64 e conta que poderia ter estudado mais. "Não sei o que pensei em não continuar", lamenta.


Jovens devem buscar orientação através da leitura
"Gosto de ler por interesse e não para passar o tempo. Não sei onde eu iria parar se tivesse condições de poder estudar mais. De repente poderia ser um doutor", sonha.


Álvaro conta que gosta de ler assuntos gerais, e guarda livros voltados à área rural, de saúde, livros técnicos, sobre religião, histórias de vida, entre outros. "Quando me dá na louca eu pego um livro e vou lendo. Em vez de ficar assistindo a novela eu leio", afirma.


O aposentado ainda lembra dos primeiros livros de história da época da escola e da bíblia que o professor trouxe e deu para cada aluno. "Acredito que as pessoas podem buscar se orientar através da leitura, pois hoje há muita bobeira na televisão. A tecnologia é boa, mas o celular é amaldiçoado pela forma como muitos jovens o estão usando. Tudo o que existe está lá dentro, graças a internet e os jovens não estão deixando um espacinho para viver suas vidas", destaca
Filho único, Álvaro criou oito filhos na propriedade na Linha Navegantes como produtor rural. "A família é a coisa mais interessante que pode existir", finaliza.