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A paralisação acabou, mas os reflexos permanecem

06/06/2018

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Depois de 10 dias de mobilizações encabeçadas pelos caminhoneiros de todo o país, a paralização, que ganhou força devido ao apoio dos diversos setores da sociedade, foi interrompida por uma liminar do Ministério Público.

 

Depois da assinatura de acordo com o governo federal, que se propôs a atender as reinvindicações dos caminhoneiros, e a manutenção das paralisações prevalecer, o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) protocolou petição, na tarde de quarta-feira (30/05), mostrando pontos em que ainda persistiam obstáculos e impedimentos nas rodovias estaduais e federais localizadas no território catarinense para cumprimento da medida liminar concedida para garantir o livre exercício do direito de ir e vir.

 

A medida liminar foi concedida em ação civil pública ajuizada pela Promotora de Justiça Analú Librelato e pelo Promotor de Justiça Eduardo Paladino, na noite de terça-feira (30), em virtude da grave situação em que se encontrava o estado de Santa Catarina, com suspensão de cirurgias e distribuição de medicamentos, supermercados com estoques afetados, suspensão das aulas em escolas, entre outros.

 

Foram expedidas cartas precatórias para as comarcas determinando que Oficiais de Justiça intimassem os grupos ainda não desmobilizados da decisão judicial, informando sobre seu cumprimento ou não às autoridades para as providências cabíveis. Dessa forma, após o comunicado pelo Oficial de Justiça, pontos de paralisação remanescentes como no caso da BR 282, em Nova Erechim, foram desfeitos sob o descontentamento dos motoristas que lutaram ao longo dos dias parados.

 

“Agradecemos a todo o povo que nos ajudou nesse tempo em que permanecemos aqui, à imprensa que nos deu força, as doações que recebemos, ao Posto que cedeu o espaço, porém especialmente aos caminhoneiros que também tiveram perdas e permaneceram aqui. Não estamos derrotados, saímos daqui abaixo de liminar, e não queremos que os outros tenham prejuízo por nossa causa, porém se for necessário, vamos nos mobilizar de novo”, disseram os caminhoneiros, no momento em que decidiram sair do local.

 

 

Principais impactos

Uma pesquisa realizada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Santa Catarina (Fecomércio-SC), durante o nono dia de paralisação dos caminhoneiros, mostrou que quase 80% dos empresários entrevistados tiveram impactos significativos com a greve. O principal problema foi o desabastecimento, como a falta de insumos para produção e comercialização, que atingiu supermercados, lojas de materiais de construção, transportes, e postos de combustíveis. Segundo a sondagem, 40,8% das mercadorias ou insumos encomendados não chegaram ao destino.

De acordo com a pesquisa, 48,5% dos empresários precisaram tomar medidas emergenciais para contornar o problema. Entre as alternativas adotadas estão o adiantamento de folgas de funcionários, a busca de insumos diretamente na distribuidora, o limite de compra para clientes, a redução do horário de atendimento e a alteração do fornecedor. Empresários que já sabiam da greve, aumentaram o estoque previamente.

 

Produção de leite

"A situação é caótica", diz presidente da ACCB

A atual situação dos produtores de leite é caótica. A afirmação é do presidente da Associação Catarinense dos Criadores de Bovinos (ACCB), Nelson Eduardo Zie Hls Dorff.

 

Ele demonstrou preocupação e relatou que os prejuízos com a paralisação dos caminhoneiros foram gigantes. “De oito a nove milhões de litros de leite foram jogados fora. É algo que nos faz parar para refletir em um cenário onde muita gente passa fome. Nós apoiamos a greve inicialmente, porém as reivindicações dos caminhoneiros foram atendidas, e o fluxo de serviços precisa andar. São 45 mil famílias que vivem da produção de leite que sofreram prejuízos”.

 

O presidente da Associação Catarinense dos Criadores de Bovinos também reforçou que a entidade vai trabalhar para que de alguma forma o produtor seja ressarcido dos prejuízos e mais uma vez lamentou as perdas. “Os prejuízos foram absurdos, pois os serviços foram mantidos e pagamos para jogar leite fora, e agora nós vamos lutar por ressarcimento desses prejuízos”, disse.

 

O produtor de leite pinhalense Vanderlei Girardi, da Linha Progresso, confirmou as dificuldades enfrentadas nos últimos dias. “Sentimos fortemente os reflexos desse tempo de paralisação. Nesse período sem coleta, perdemos toda a nossa produção de leite. Esperamos que as reinvindicações sejam atendidas, pois essa conta vai ser difícil de pagar, e os prejuízos maiores ainda vamos sentir no futuro”, disse Girardi.

 

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Suinocultura vai levar 6 meses para voltar à normalidade, projeta especialista

 

Com a paralisação dos caminhoneiros, a suinocultura também foi seriamente afetada e vai levar aproximadamente seis meses para voltar ao normal. A projeção é do coordenador técnico de suinocultura da Cooper Itaipu, Daniel Simon. De acordo com o veterinário, as perdas foram significativas também aqui na região.

 

“Vamos precisar de uns seis meses para voltarmos com as atividades à normalidade. Os animais acabaram sofrendo estresse e por consequência a mortalidade. A produção da suinocultura segue um fluxo, com ciclo que precisa ser observado. Só da Cooper Itaipu, são 50 mil animais em creches, mais 120 mil em terminação. Dez dias de paralisação travam esse fluxo. Apesar de acreditarmos no movimento dos caminhoneiros, sofremos muito e também vimos os animais sofrendo”, conta o veterinário.

 

Municípios permanecem em Situação de Emergência

Mesmo com o fim da paralisação dos caminhoneiros, alguns municípios que decretaram situação de emergência nos últimos dias, ainda permanecem nessa condição. É que até então o desabastecimento em alguns setores continua.

 

Em Águas Frias, prefeito Ricardo Rolim de Moura decretou estado de emergência após decisão tomada junto com a Câmara de Vereadores. De acordo com o prefeito, o decreto é válido por até 60 dias. “Por orientação do Tribunal de Contas, e em acordo com a Câmara de Vereadores, assinamos o Decreto de Emergência para podermos viabilizar providências futuras”, afirma Ricardo.

 

Em Jardinópolis, o prefeito Dorildo Pegorini também assinou o decreto de emergência na última semana. Ele ressalta que os serviços básicos ainda estão sendo mantidos e lembra dos prejuízos causados no campo. “Todos os serviços do município foram afetados. Tivemos que racionar combustíveis e especialmente nossa agricultura sofreu um grande impacto. Em consequência disso, toda a população sentirá os resultados negativos por causa da queda nas receitas”, disse Pegorini.

 

Assim como os demais municípios daregião, Pinhalzinho também decretou Situação de Emergência. “Uma das exigências, instituída em 2012, quando mudou a situação de emergência, é que o município atinja um prejuízo no setor público e privado. Em Pinhalzinho, superamos estes prejuízos. Esse decreto é para que possamos, posteriormente, reivindicar algo para as categorias atingidas e para isso precisamos estar amparados por lei”, disse o prefeito Mário Afonso Woitexem.

 

Correios reforçam operação para normalizar as entregas

Em consequência da paralisação dos caminhoneiros, os Correios deixaram de entregar cerca de 85 milhões de objetos postais, entre encomendas e mensagens, uma vez que os veículos da empresa não conseguiram chegar ao seu destino por causa de bloqueios nas estradas, ou devido à falta de combustível. Em dias normais, a empresa entrega aproximadamente 25 milhões de objetos diariamente.

 

Com o término do movimento grevista, os Correios trabalham para regularizar as operações e normalizar todos os serviços. No sábado (2), foram realizados mutirões nas unidades que receberem carga para distribuição. A estimativa é de que em aproximadamente 15 dias as entregas estejam normalizadas.

 

Resultados positivos virão?

Apesar de os caminhoneiros terem a principal reivindicação atendida, no que diz respeito ao preço do óleo diesel, o Governo anunciou ainda na sexta-feira que vai retirar benefícios de outras áreas para cobrir essa demanda. A gasolina é um exemplo disso, já que sofreu reajuste significativo, passando dos R$ 4,70 o litro, em alguns postos da região. No final de semana, a incerteza com o que poderia acontecer e diante de boatos de possíveis novas paralisações, levaram à formação de filas e esgotamento de combustíveis e alimentos no mercado de Pinhalzinho e região.